Cravo na Carne - Fama e Fome


Blog do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome", de Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, publicado pela editora Veneta em 2015.
Contemplado pelo Prêmio Carequinha, da Funarte, "Cravo na Carne - Fama e Fome" traz as histórias de onze mulheres que entre os anos 20 e 50 do século XX, se exibiram como faquiresas no Brasil.
Muito populares na época, as provas de faquirismo consistiam, em sua maioria, no encerramento do faquir ou da faquiresa em uma urna transparente durante um determinado período de dias, semanas ou até mesmo meses, em absoluto jejum, muitas vezes sobre pregos ou cacos de vidro e ao lado de cobras.
O ar de mistério e tragédia que envolvia a exótica profissão não se limitava aos locais onde se realizavam tais provas e também se fazia presente nas vidas pessoais de seus representantes.
O que levaria uma mulher a escolher o faquirismo como arte e profissão em uma época em que optar por carreiras como as de atriz ou cantora já era o suficiente para que não fossem bem vistas pela sociedade preconceituosa e moralista de então?
Quem foram nossas faquiresas?
Como elas eram vistas por seus contemporâneos?
Buscando responder a essas e a outras perguntas, Alberto de Oliveira e Alberto Camarero realizaram extensa pesquisa, cujos resultados trazem à tona em "Cravo na Carne - Fama e Fome", o primeiro livro no mundo sobre a arte circense do faquirismo.

Entre em contato com os autores através do e-mail:

famaefome@gmail.com

Para comprar "Cravo na Carne - Fama e Fome":

Loja Veneta - http://www.lojaveneta.com.br/produtos/cravo-na-carne-fama-e-fome/


Saraiva - http://www.saraiva.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-8908519.html


Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/p/cravo-na-carne-42962726


Livraria da Travessa - http://www.travessa.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil/artigo/858eb6a3-89c7-45ec-aaf8-6f099645d38f

Amazon - http://www.amazon.com.br/Cravo-Carne-Faquirismo-Feminino-Brasil/dp/8563137417

Martins Fontes Paulista - http://www.martinsfontespaulista.com.br/cravo-na-carne-497638.aspx/p

Livrarias Curitiba - http://www.livrariascuritiba.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-veneta-lv382979/p

Arte Pau Brasil - http://www.artepaubrasil.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-698849-p536467

Este projeto foi contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE CAIXA CAREQUINHA DE ESTÍMULO AO CIRCO

sábado, 31 de outubro de 2015

"Cobras não!"

A presença das serpentes junto aos faquires e às faquiresas em suas urnas de vidro começou a se tornar cada vez mais constante a partir dos anos 50, mas nunca foi obrigatória.
Tanto que mesmo uma prova com a qual se buscava o recorde mundial feminino de jejum realizada no Rio de Janeiro, a capital do Brasil na época, podia ser levada a cabo apenas com o uso de uma cama de pregos, sem cobras.
Foi o que aconteceu em 1955, quando a faquiresa curitibana Mara se exibiu no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, com a intenção de tirar o título de campeã mundial de jejum feminino da francesa Yvette, eleita Rainha dos Faquires em Paris.
"Cobras não!", disse Mara antes de ser encerrada em sua urna, "dando ênfase à sua repulsa pelas amigas preferidas de Luz del Fuego".


"Jornal Pequeno", Recife, PE, 08 de novembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx


Mara
Fonte: Acervo da família

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Suzy King, a faquiresa que nunca perdeu uma parada

Em 1958, o faquir colombiano Príncipe Ígor se exibia jejuando em uma tenda montada em Copacabana com suas cobras quando teria sido supostamente flagrado comendo pela polícia.
A prova foi interrompida, sua tenda foi apedrejada pelo público e o artista foi levado à delegacia, lá permanecendo até a chegada da faquiresa Suzy King, que tomou suas dores, ofereceu seu apartamento para que ele se hospedasse enquanto fosse preciso e foi à imprensa mais de uma vez fazer sua defesa, segundo ela mesma só "por honra do faquirismo".
Em uma dessas ocasiões, declarou a jejuadora: "Se eu não conseguir provar a inocência de Ígor, engulo uma cobra inteira! Mas acho que não vou precisar comer coisa nenhuma, pois nunca perdi uma parada.".


"Diário Carioca", Rio de Janeiro, RJ, 17 de maio de 1958
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Lúcia Alves, a faquiresa do cotidiano

Em meados de 1935, um estranho fato foi noticiado pela imprensa.
Tratava-se do misterioso caso da jovem Lúcia Alves, de dezoito anos, que vivia no Paraná e passara a apresentar um comportamento bastante excêntrico subitamente, sem que sua família encontrasse qualquer explicação plausível para o que vinha acontecendo com ela.
De uma hora para a outra, a moça se tornara uma faquiresa. Se isso se desse profissionalmente, tudo bem. O grande problema é que Lúcia Alves desenvolvera todas as habilidades de uma faquiresa de uma hora para a outra e as praticava em seu cotidiano, caminhando sobre pregos, encantando serpentes e até mesmo jejuando durante dias a fio.
Preocupados, seus pais procuravam "curá-la" de todas as formas, recorrendo a médicos, curandeiros e tudo mais o que lhes ocorria, mas nada adiantava: embora não cobrasse ingresso do público para vê-la em suas estripulias, Lúcia Alves se tornara uma faquiresa.


"Correio Paulistano", São Paulo, SP, 31 de julho de 1935
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

"Do interior de seu sarcófago de cristal, Zaida dirige-se às autoridades"

No início de 1951, a faquiresa Zaida, oriunda da América Latina, pretendia passar cinquenta e seis dias jejuando em uma urna instalada no largo do Paissandú, em São Paulo.
Ainda nos primeiros dias da prova, a artista convocou a imprensa paulista para que registrassem uma solicitação sua às autoridades: Zaida desejava ser fiscalizada permanentemente por um guarda civil que pudesse atestar a honestidade de sua prova.
A falta de policiamento era constantemente reclamada por faquiresas que não recebiam esse tipo de assistência, não apenas porque a presença de um guarda civil garantia ao público a veracidade da exibição, mas também pela própria segurança delas, que algumas vezes, sofriam algum tipo de agressão por parte dos que as visitavam.
 
 
"Diário da Noite", São Paulo, SP, 19 de março de 1951
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Topanga, ajudante de faquiresa

Em 1955, quando se preparava para a prova de jejum que realizaria no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, a faquiresa Rossana contava com a ajuda de Topanga, "uma índia xavante" que desejava "ajudá-la na seleção" das cobras que permaneceriam expostas com ela durante sua aventura.
Topanga, que exercia "misteres de copa e cozinha numa residência de Copacabana e de cuja patroa" vinha "trazendo um perigoso agastamento", confessando até que estava "meio saudosa de deglutir carne humana", pretendia "agregar-se à bela faquir para seguir-lhe o tumultuado destino, exceto nas coisas de jejum, para o que", declarou, não possuía "qualquer vocação".


"Diário Carioca", Rio de Janeiro, RJ, 15 de junho de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O faquir brasileiro que jejuava de pé, enterrado até o pescoço

Entre o final dos anos 20 e o início dos anos 30, o faquir Orcalino Junqueira, esposo da jejuadora Djanira Junqueira, realizou algumas das provas de jejum mais originais que ocorreram no Brasil em todos os tempos.
Em uma delas, o artista permaneceu exposto sem comer durante vários dias no circo Democrata, no Rio de Janeiro.
Até aí, tudo normal dentro do universo do faquirismo, não fosse o fato de que Orcalino Junqueira se mantinha de pé, enterrado até o pescoço, durante todo o período do espetáculo.
Apenas a parte superior da urna dentro da qual ele se encontrava encerrado estava desenterrada e somente a cabeça do jejuador podia ser vista pelo público, não chegando a bater nos joelhos das pessoas que lhe visitavam, o que tornava a prova ainda mais aflitiva e impressionante.


"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 02 de maio de 1928
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 25 de outubro de 2015

"Cravo na Carne - Fama e Fome" no programa "Tema Livre", na Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Nessa quinta-feira, 22 de outubro de 2015, foi ao ar no programa "Tema Livre", apresentado por Luciana Valle, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, uma entrevista dos autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome", Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, a respeito do livro.
A entrevista contou ainda com a participação de Andréia Athaydes, a neta da faquiresa gaúcha Sandra, recordista mundial de jejum feminino em 1958, depois de passar oitenta e três dias sem comer em exibição realizada em Porto Alegre.


sábado, 24 de outubro de 2015

O "pavilhão da fome" "nas horas mortas da noite encalorada"

Já bem perto do fim da longa prova que lhes consagrou campeões mundiais de jejum nas modalidades masculina e feminina no início de 1958, o casal de faquires Lookan e Yone foi tema de um belo texto de José de Castro publicado na imprensa paulista.
Nele, o autor descrevia de forma poética o cenário do espetáculo "nas horas mortas da noite encalorada".




"O Dia", São Paulo, SP, 18 de janeiro de 1958
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Zokan, o faquir poeta

Embora o gaúcho Silki seja constantemente lembrado como o grande campeão mundial de jejum de todos os tempos, outros faquires brasileiros passaram mais tempo expostos ao público sem comer do que ele.
Enquanto a maior marca alcançada por Silki foi a de cento e quinze dias de jejum em 1980, em prova realizada em São Paulo, Lookan passou cento e trinta e quatro dias sem ingerir alimentos sólidos na capital paulista em 1958 e Zokan jejuou durante cento e trinta e dois dias no Rio de Janeiro em 1970.
Tal como o faquir Urbano, que no início dos anos 20, distribuía poesias às moças que assistiam a uma de suas exibições, Zokan era poeta e, encerrado em sua urna de vidro, deitado sobre pregos na companhia de serpentes, atravessava seu jejum escrevendo.
Uma de suas poesias, "Chove lá fora", publicada pela imprensa na época, fazia referência direta à sua vida de faquir:

chove lá fora e dentro do meu peito
a chuva vai caindo lentamente
enquanto aqui dentro tristemente
medito e rezo no meu duro leito

assim é minha vida, esse é meu gesto
e sou feliz nessa missão de crente
sobre a cama de pregos que me deito

chove lá fora... enquanto a chuva cai
eu vou orando a meu bondoso Pai
pra que acalme do mundo suas dores

pois para mim, o que de belo existe
é ver o mundo alegre, embora eu triste
transforme meus espinhos sempre em flores


"Diário de Notícias", Rio de Janeiro, RJ, 07 de abril de 1970
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Bem longe do mundo dos vivos

A interação dos faquires com o público variava bastante de prova para prova - se nos primórdios das exibições de jejum realizadas por mulheres, a francesa Rose Rogé tinha um telefone no caixão dentro do qual permaneceu enterrada sem comer durante mais de uma semana, cujo número era inclusive publicado nos jornais para que as pessoas pudessem ligar a qualquer hora do dia ou da noite para a jejuadora, algumas faquiresas permaneciam expostas rodeadas por avisos que alertavam o público para que não falasse com elas.
Isso era recorrente, por exemplo, nas provas da gaúcha Sandra, que costumava passar todo o período em que se comprometia jejuar sem dizer absolutamente nada.
Sua resolução de se manter em silêncio era tão firme que, em uma das ocasiões em que estava prestes a ser encerrada em sua urna de vidro, a artista teria dito: "Adeus! Vou sair do mundo dos vivos por quinze dias.", deixando a impressão de que, durante o tempo em que estaria muda dentro de seu esquife, com seu corpo praticamente inerte, sua alma andaria bem longe.


"A Razão", Santa Maria, RS, 16 de setembro de 1951
Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, Santa Maria, RS

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

"O dono da fábrica de salsichas 'peitou' um homem para matar-me!"

Como alimentar suas serpentes estava cada vez mais caro, a faquiresa Suzy King encontrou uma solução bem original para a questão: passou a alimentá-las com salsichas.
Tudo ia bem, até que uma das cobras ingeriu uma salsicha estragada e morreu.
Furiosa contra a fábrica de salsichas que matara sua companheira de trabalho, a artista procurou diversas delegacias e também a imprensa para reclamar seus direitos, pois pretendia ser indenizada pela perda do réptil.
Porém, além de não ser atendida, Suzy King foi maltratada em quase todos os lugares aos quais levou sua questão.
Sem jamais perder o rebolado, a jejuadora decidiu então levar seu protesto às ruas.
Trajando apenas um sumário biquíni e acompanhada por outro de seus ofídios, Suzy King realizou pequenos comícios em alguns pontos do Rio de Janeiro, contando o que se passara aos transeuntes depois de atrair sua atenção dando piruetas e esboçando bailados com a cobra.
Na praça Tiradentes, a coisa complicou: o público avançou contra ela, que em meio à confusão, terminou despida e ainda foi picada pela sua própria serpente, indo parar na delegacia, onde foi autuada.
O caso foi amplamente divulgado pelos jornais cariocas na época e dias depois, Suzy King voltava à imprensa, dessa vez com a séria acusação de que o dono da fábrica de salsichas, irritado com a publicidade negativa empreendida por ela, teria contratado um homem para matá-la.


"Última Hora", Rio de Janeiro, RJ, 20 de novembro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"O caso sensacional da pensão Rogé"

Poucos anos antes de se exibir como faquiresa, a francesa Rose Rogé era dona de uma pensão no Botafogo, no Rio de Janeiro.
Um escândalo envolvendo seu nome com o de um padre, porém, fez com que ela perdesse tudo o que tinha, indo parar na rua, onde, passando fome, descobriu que poderia ganhar dinheiro se expondo ao público enterrada sem comer durante alguns dias.
Em um dos momentos culminantes do caso escandaloso que a ligou ao sacerdote, a artista teria sido atacada de madrugada em sua pensão.
Atribuindo o ataque a uma vingança do padre e "receosa de ser assinada", Rose Rogé escreveu um relatório, publicado pela imprensa na íntegra na época.
Nele, a jejuadora procurava relatar tudo o que se passara entre ela e seu inimigo "no sentido de elucidar a polícia sobre a terrível perseguição que sofria".


"O Imparcial", Rio de Janeiro, RJ, 15 de setembro de 1920
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Succi e o Espírito Santo

Em 1926, pretendendo realizar uma prova de jejum no Rio de Janeiro, o faquir argentino Manoel Blasco fez algumas considerações a respeito da prática do jejum à imprensa carioca.
Recorrendo à História para embasar seu discurso, o artista também fez referência a um pormenor curioso a respeito do famoso jejuador italiano Succi, que se exibira no Brasil em 1899.
Segundo Manoel Blasco, Succi, a quem ele chamava de mistificador, teria declarado a um jornalista que "certa vez, lendo um livro, este caiu e, em seguida, por si mesmo se alçou do solo e ascendeu ao céu, enquanto uma voz - a do Espírito Santo - voz branda, lhe dizia: 'Poderás, como Jesus, caminhar sobre as ondas do mar. Poderás beber os mais fortes venenos, sem que morras. Poderás viver sem comer.'".
Para o argentino, que atribuía seu próprio domínio da arte do jejum ao "exercício sistemático da vontade, um trabalho inteligente e inexorável de autossugestão", tal declaração mostrava que Succi não passava "de um charlatão e dos mais malignos que existem".


"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 10 de maio de 1926
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

domingo, 18 de outubro de 2015

E para aquele que provasse que a faquiresa não jejuava... Quinhentos mil cruzeiros!

Para despertar a atenção do público para suas provas de jejum, um dos recursos usados por faquires, faquiresas e empresários era envolver a população local diretamente com a exibição das mais diversas formas ou até mesmo desafiá-la.
Quando a faquiresa Malba buscava bater o recorde mundial de jejum feminino em Porto Alegre, em 1958, passando oitenta dias sem comer, o faquir Silki, o responsável pelo espetáculo, ofereceu um prêmio de quinhentos mil cruzeiros a quem provasse que a jejuadora ingeria alimentos ao longo da prova, além de deixar claro que qualquer um que se dispusesse poderia fiscalizar pessoalmente a exibição, permanecendo dia e noite ou enquanto aguentasse ao lado da urna dentro da qual a artista se encontrava encerrada.





 "A Hora", Porto Alegre, RS, 16 de setembro de 1958
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sábado, 17 de outubro de 2015

Rio de Janeiro, Natal de 1955: Papai Noel visita Mara

Em busca do título de campeã mundial de jejum feminino, a faquiresa Mara passou os últimos meses de 1955 e o início de 1956 encerrada em uma urna de vidro no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.
Não apenas seu aniversário de trinta anos, no final de novembro de 1955, foi comemorado por ela dentro de seu esquife, mas também o Natal daquele ano e a virada para 1956.
No Natal, a jejuadora recebeu inúmeros presentes, "que foram um conforto incomensurável dada a melancolia de Mara em não poder festejar condignamente a festa máxima da cristandade", além da visita do próprio Papai Noel.


"Tribuna da Imprensa", Rio de Janeiro, RJ, 26 de dezembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx
 

Papai Noel visita Mara em sua urna de vidro
Fonte: Acervo da família

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Vicente Cabistany, um companheiro fiel

Além de esposo da faquiresa paranaense Iliana, o gaúcho Vicente Cabistany também era seu empresário.
Ocupando posições de destaque na Associação Brasileira de Faquires, o marido da artista também foi responsável por exibições de jejum realizadas em diversas partes do Brasil entre os anos 40 e 50, além de ter se submetido ele próprio a pelo menos uma prova de faquirismo, permanecendo enterrado vivo durante alguns dias na Argentina em 1947.
Tanto Vicente Cabistany, quanto Rosalba, a filha de Iliana, se mantinham ao lado da jejuadora durante todo o período em que duravam suas provas, morando com ela nos locais onde sua urna era instalada a cada exibição.


"Folha do Norte", Belém, PA, 20 de novembro de 1957
Fonte: Biblioteca Pública Arthur Vianna, Belém, PA

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sandra em Porto Alegre, 1955-1956

Depois de permanecer trinta e um dias jejuando dentro de uma urna de vidro, deitada sobre pregos na companhia de serpentes, entre dezembro de 1955 e janeiro de 1956, a faquiresa Sandra se tornou campeã gaúcha de faquirismo, batendo não apenas o recorde feminino estadual, mas superando também todos os homens que tinham se exibido em provas de faquirismo até então no Rio Grande do Sul.
Dessa façanha, restou uma série de fotografias cedidas aos autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome" pela família de Sandra, as quais mostram o antes, o durante e o depois do espetáculo.



















Sandra em Porto Alegre, 1955-1956
Fonte: Acervo da família

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Belo Horizonte, 1956: o faquir do bar Trianon

Em 1956, o faquir amazonense Lookan realizou uma prova de jejum naquele que parece ter sido o cenário mais barra pesada de um espetáculo de faquirismo no Brasil: ao longo de quatro meses, o jejuador permaneceu exposto ao público dentro de sua urna de vidro em uma das dependências do bar Trianon, na rua da Bahia, 905, em Belo Horizonte.
Vítima dos boêmios, dos cheiros, da fumaça e daqueles que comiam diante de seu esquife, Lookan resistiu bravamente durante todo o período em que deveria durar a exibição e bateu o recorde mundial de jejum, o qual terminou por não ser reconhecido pela associação francesa que controlava os recordes de faquirismo no mundo inteiro na época.
Naquela ocasião, Lookan ainda não vivia com a faquiresa Yone, tendo ao seu lado uma outra mulher, chamada pela imprensa de Fátima Marusha, a qual também era apresentada como faquiresa e deveria bater o recorde mundial de jejum feminino em breve.


"Tribuna da Imprensa", Rio de Janeiro, RJ, 18 e 19 de agosto de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Menos conhecida, mas tão "perigosa" quanto Luz del Fuego

Enquanto grande parte das faquiresas brasileiras dos anos 50 preferia fazer uso de roupas orientais, principalmente trajes de odalisca, em suas exibições de jejum, Suzy King costumava permanecer exposta ao público apenas de biquíni durante suas provas.
Em Juiz de Fora, em Minas Gerais, poucos anos depois de um espetáculo da famosa Luz del Fuego, que dançaria com suas serpentes na cidade, ter sido proibido, a passagem de Suzy King por ali não parece ter sofrido qualquer censura.
Embora não desfrutasse do mesmo prestígio de sua ofídica colega, a faquiresa era tão "perigosa" para a moral e o conservadorismo da época quanto ela: na ocasião, Suzy King não apenas cantou e dançou com suas cobras nos palcos locais, inclusive no rádio, em um programa de auditório, mas também jejuou encerrada dentro de uma urna de vidro ao lado de três de suas companheiras de trabalho vestindo somente seu tradicional biquíni ao longo de vinte dias.


"Folha Mineira", Juiz de Fora, MG, 25 de fevereiro de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A propaganda é a alma do negócio

Para promover os espetáculos de faquirismo, os artistas e seus empresários investiam em anúncios que quase sempre pendiam para o sensacionalismo e eram publicados nos principais jornais das cidades onde eram realizadas suas provas de jejum.
Aquelas que ocorriam no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, palco de quatro exibições do gênero consecutivas em 1955, em especial, ganhavam cartazes bem expressivos, os quais ocupavam com destaque as páginas dos jornais cariocas.


"Diário de Notícias", Rio de Janeiro, RJ, 18 de novembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

O suicídio da faquiresa do Cineac Trianon

Em agosto de 1955, a faquiresa gaúcha Rossana foi encerrada dentro de uma urna de cristal, deitada sobre cacos de vidro, cercada por serpentes, no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a artista pretendia jejuar durante sessenta dias e bater o recorde mundial feminino de jejum.
Bem antes disso, porém, quando tinha cumprido apenas um terço do que prometera ao público, Rossana abandonou sua urna.
Quase um ano se passou sem que seu nome voltasse a aparecer nos jornais. Quando isso aconteceu, em junho de 1956, já não era uma prova de faquirismo que devolvia a jejuadora à luz dos holofotes: Rossana se suicidara por amor.



"Luta Democrática", Rio de Janeiro, RJ, 28 de junho de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sábado, 10 de outubro de 2015

"Suplício de uma jovem - o último passo pela honra"

Dentro do contexto do histórico de algumas faquiresas, a decisão radical de se exibir ao público jejuando dentro de uma urna se apresenta como uma última tentativa, uma última perspectiva de solução para uma situação desesperadora ou, como diria Rose Rogé em anúncio no qual se oferecia a algum empresário que quisesse pagá-la para isso, "o último passo pela honra".


"Correio da Manhã", Rio de Janeiro, RJ, 28 de maio de 1921
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

"Cravo na Carne - Fama e Fome" no "Jornal do Commercio" (Manaus, AM)

No "Jornal do Commercio" (Manaus, AM) dessa terça-feira, 06 de outubro de 2015, no caderno "C", matéria sobre o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" assinada pelo jornalista Evaldo Ferreira.


"Jornal do Commercio", Manaus, AM, 06 de outubro de 2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Médico de faquir

As exibições de faquirismo eram sempre acompanhadas por um ou mais médicos.
A supervisão de um profissional era considerada muito importante para o êxito das provas de jejum e alguns artistas chegavam a dedicar suas vitórias aos médicos que os visitavam diariamente, medindo a temperatura, a pressão e os batimentos cardíacos dos faquires.
Um dos médicos de faquir que mais se destacaram no Brasil nos anos 50 foi o doutor Caetano Virgílio Netto, responsável pela saúde de Silki, Lookan, Yone e Verinha, entre outros jejuadores.
 
 
"Correio Popular", Campinas, SP, 28 de março de 1958
Fonte: Rede Anhanguera de Comunicação, Campinas, SP

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Lançamento do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" no Rio de Janeiro

Hoje, quarta-feira, 07 de outubro de 2015, o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" será lançado na Livraria da Travessa, na rua Visconde de Pirajá, 572, no Rio de Janeiro, a partir das 19h.
O lançamento contará com a presença dos autores autografando o livro.