Cravo na Carne - Fama e Fome


Blog do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome", de Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, publicado pela editora Veneta em 2015.
Contemplado pelo Prêmio Carequinha, da Funarte, "Cravo na Carne - Fama e Fome" traz as histórias de onze mulheres que entre os anos 20 e 50 do século XX, se exibiram como faquiresas no Brasil.
Muito populares na época, as provas de faquirismo consistiam, em sua maioria, no encerramento do faquir ou da faquiresa em uma urna transparente durante um determinado período de dias, semanas ou até mesmo meses, em absoluto jejum, muitas vezes sobre pregos ou cacos de vidro e ao lado de cobras.
O ar de mistério e tragédia que envolvia a exótica profissão não se limitava aos locais onde se realizavam tais provas e também se fazia presente nas vidas pessoais de seus representantes.
O que levaria uma mulher a escolher o faquirismo como arte e profissão em uma época em que optar por carreiras como as de atriz ou cantora já era o suficiente para que não fossem bem vistas pela sociedade preconceituosa e moralista de então?
Quem foram nossas faquiresas?
Como elas eram vistas por seus contemporâneos?
Buscando responder a essas e a outras perguntas, Alberto de Oliveira e Alberto Camarero realizaram extensa pesquisa, cujos resultados trazem à tona em "Cravo na Carne - Fama e Fome", o primeiro livro no mundo sobre a arte circense do faquirismo.

Entre em contato com os autores através do e-mail:

famaefome@gmail.com

Para comprar "Cravo na Carne - Fama e Fome":

Loja Veneta - http://www.lojaveneta.com.br/produtos/cravo-na-carne-fama-e-fome/


Saraiva - http://www.saraiva.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-8908519.html


Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/p/cravo-na-carne-42962726


Livraria da Travessa - http://www.travessa.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil/artigo/858eb6a3-89c7-45ec-aaf8-6f099645d38f

Amazon - http://www.amazon.com.br/Cravo-Carne-Faquirismo-Feminino-Brasil/dp/8563137417

Martins Fontes Paulista - http://www.martinsfontespaulista.com.br/cravo-na-carne-497638.aspx/p

Livrarias Curitiba - http://www.livrariascuritiba.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-veneta-lv382979/p

Arte Pau Brasil - http://www.artepaubrasil.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-698849-p536467

Este projeto foi contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE CAIXA CAREQUINHA DE ESTÍMULO AO CIRCO

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Recordes confusos

Em abril de 1956, depois de passar setenta dias sem comer em Recife e bater o recorde mundial feminino de jejum, a faquiresa paranaense Iliana declarou à imprensa local que não pretendia voltar a se exibir em uma prova semelhante, afirmando que isso só aconteceria se seu recorde fosse superado por uma estrangeira.
No início daquele ano, a curitibana Mara se tornara campeã mundial de jejum feminino no Rio de Janeiro passando sessenta e sete dias sem comer. Apesar disso, Iliana, com seus setenta dias, afirmava estar vencendo não Mara, paranaense como ela, mas sim a francesa Yvette e seus cinquenta e seis dias, já vencidos por Mara.
Fato ainda mais curioso aconteceria no final de 1957: em Belém, no Pará, Iliana voltaria a jejuar, encerrada em uma urna de vidro, deitada sobre pregos, ao lado de duas cobras, exposta no Palácio Oriental, na praça Justo Chermont.
Dessa vez, porém, a artista, com uma prova que duraria apenas sessenta dias, afirmaria novamente estar batendo o recorde mundial feminino de jejum, cuja posse naquele momento atribuía então à estrangeira Lys Chelys, que passara cinquenta e cinco dias jejuando na Alemanha.
Tal afirmação, estranhamente, desconsiderava não apenas os cinquenta e seis dias da francesa Yvette e os sessenta e sete dias marcados por Mara, mas também os seus próprios setenta dias de jejum.
Esse tipo de confusão era bastante comum nas provas de faquirismo, tanto na modalidade masculina, quanto na feminina, uma vez que o controle dos recordes não era rigoroso e as exigências para que uma prova de jejum fosse considerada válida não eram muito claras.
Na realidade, nunca foi bem esclarecido na imprensa nacional quem de fato fazia esse controle na época e poderia definir quaisquer exigências.



"Folha do Norte", Belém, PA, 21 de novembro de 1957
Fonte: Biblioteca Pública Arthur Vianna, Belém, PA

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Empresário de faquir

Bem pouco se sabe sobre a faquiresa Wilmara, que se exibiu jejuando durante quinze dias em Curitiba em março de 1951, encerrada em uma urna de vidro, deitada sobre mil pregos, ao lado de duas cobras.
Seu empresário na ocasião, Alcides de Souza Aguiar, trabalharia com outra faquiresa no final daquele ano - em setembro, ele estaria envolvido com uma prova de jejum da gaúcha Sandra realizada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
Não muito bem vista na época, a figura do empresário de faquirismo chegou até a ser referenciada em uma chanchada de 1956, "Depois, eu conto", como sinônimo de golpista, em uma cena na qual a personagem de Dercy Gonçalves usa a expressão "empresário de faquir" para ofender o personagem de Zé Trindade.

 
"A Tarde", Curitiba, PR, 12 de março de 1951
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O faquirismo além do jejum

Quando se fala na arte circense do faquirismo, muitos pensam nos artistas que perfuram seus corpos, engolem espadas e cospem fogo. Outros consideram faquires também os encantadores de serpentes e aqueles que permanecem enterrados sob a terra por alguns minutos ou algumas horas.
Dentro do universo do circo que se manifesta debaixo da lona, esse faquirismo é realmente bem mais comum e seus praticantes podem ser encontrados com facilidade até hoje no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
"Cravo na Carne - Fama e Fome", porém, focaliza um segmento específico e aparentemente extinto há muitos anos do faquirismo circense - as exibições de jejum; e de forma ainda mais específica, em sua modalidade feminina.
Todas as faquiresas apresentadas ao longo do livro têm em comum o fato de terem se apresentado em território nacional jejuando expostas ao público, encerradas em urnas de vidro ou caixões de madeira, com ou sem pregos e outros elementos de tortura, com ou sem serpentes em seus ataúdes.
Isso não impede que várias delas também dominassem outras áreas do faquirismo.
Yone, por exemplo, no início de 1958, à beira de deixar sua urna, instalada na praça do Correio, em São Paulo, dentro da qual vinha buscando bater o recorde mundial feminino de jejum, anunciou à imprensa para breve uma apresentação na qual repetiria "o suplício de Santa Joana D´Arc", "amarrada a um poste", permanecendo "largo tempo envolvida pelo calor de dois mil archotes" em um campo de futebol, além de outra prova chamada "A dança dos cristais", sobre a qual não deu maiores detalhes na ocasião para "surpreender os assistentes com um espetáculo coreográfico de primeira ordem e rara beleza".




"O Dia", São Paulo, SP, 28 de janeiro de 1958
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

domingo, 27 de setembro de 2015

Mara e a praga do Arubinha

Antes de ser encerrada em sua urna no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, e se tornar campeã mundial de jejum feminino depois de passar sessenta e sete dias sem comer, a faquiresa curitibana Mara pretendia permanecer nove minutos enterrada viva em um campo de futebol diante do público brasileiro, número que já realizara diversas vezes com sucesso em vários países da América Latina.
1955 chegava ao fim e no mesmo Cineac Trianon, seu esposo, o faquir Urbano, já se encontrava exposto ao público há um bom tempo, buscando bater o recorde mundial de jejum.
Em um primeiro momento, Mara tentou obter permissão para ser enterrada no estádio do Maracanã, que lhe negou seu campo com o pretexto de que "os sucessivos jogos de futebol ali disputados não poderiam ser preteridos" pelo espetáculo da faquiresa.
Assim, a artista fez nova tentativa, pedindo a licença do Vasco da Gama para se enterrar em seu campo.
Uma reunião foi realizada para discutir a possibilidade de atenderem o pedido de Mara, mas um sinistro episódio que marcara a história do time deixara nos cruzmaltinos um profundo trauma em relação a enterramentos.



"Diário Carioca", Rio de Janeiro, RJ, 06 de novembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx


Mara ao fim de uma de suas provas de "enterrada viva" realizadas na América Latina
Fonte: Acervo da família

sábado, 26 de setembro de 2015

O acervo da faquiresa Sandra

Nessa sexta-feira, 25 de setembro de 2015, os autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome", Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, estiveram com a neta da faquiresa gaúcha Sandra, Andréia Athaydes.
Ao longo de sua vida, Sandra, campeã gaúcha de faquirismo em 1956 e campeã mundial de jejum feminino em 1958, falecida em 2003, guardou vasto material de sua carreira artística: fotografias, recortes de jornais, anúncios de exibições e até mesmo um caderno no qual seus fãs deixaram mensagens de incentivo e admiração ao assisti-la em provas de jejum realizadas em 1951 em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e em 1956, em Porto Alegre.
Esse acervo, hoje sob os cuidados de Andréia, que tem grande orgulho da avó, é um precioso e raro registro do faquirismo feminino nacional. Através dele, tantas décadas depois, é possível dimensionar o prestígio que tinham as faquiresas no Brasil nos anos 50, no auge de sua arte no país.


Alberto Camarero, Andréia Athaydes e o acervo de Sandra


Alberto de Oliveira, Andréia Athaydes, Alberto Camarero e, no retrato, Sandra

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Cravo na Carne - Fama e Fome" no programa "Em Cartaz", na TV Aberta

Nessa quarta-feira, 23 de setembro de 2015, foi ao ar no programa "Em Cartaz", apresentado por Atilio Bari, na TV Aberta, uma entrevista dos autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome", Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, a respeito do livro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

1958: a "senhorita indiana" em Jaú

No dia 11 de setembro de 2015, comentando a publicação de "Cravo na Carne - Fama e Fome" no jornal "Comércio do Jahu", de Jaú, cidade do interior de São Paulo, a colunista Vera Lotto trouxe à tona a remota lembrança do jornalista José Maria Domingues dos Santos a respeito de uma faquiresa que passou por lá no final dos anos 50, fato desconhecido pelos autores do livro até então.
Seguindo essa pista, Alberto de Oliveira e Alberto Camarero entraram em contato com a Patrícia, que trabalha no Arquivo Histórico Dr. Raul Bauab e se dispôs a encontrar algum registro de uma prova de jejum realizada por uma mulher em Jaú nas edições antigas do "Comércio do Jahu".
E a busca teve sucesso - uma pequena reportagem datada de fevereiro de 1958 confirma a presença de uma faquiresa chamada pelo jornal apenas de "senhorita indiana" e "bela indiana" em Jaú, a qual já vinha jejuando na cidade encerrada dentro de uma urna de vidro na companhia de uma cobra desde o início daquele mês. Ao seu lado, contava a matéria, principalmente à noite, velava seu empresário para que a cobra não se enrolasse em seu pescoço.
É essa nota que publicamos nessa postagem, logo abaixo da reprodução do já citado texto assinado por Vera Lotto:

"Chama-se “Cravo na Carne” o livro extremamente singular que acaba de ser lançado pela Editora Veneta. Nele, o autor, Alberto Camarero, conta a história de 11 mulheres que ganhavam a vida trancando a boca. Sim, ficavam sem comer. Elas se metiam em uma urna de vidro e lá permaneciam em absoluto jejum – ou pelo menos é isso que anunciavam – por longa temporada, vestidas de macacões negros e em companhia de duas cobras não venenosas, de preferência jiboias, para dar mais dramaticidade à exibição. Naturalmente cobravam ingressos para serem vistas. Eram as faquiresas, feminino da palavra faquir, que designa mendicantes muçulmanos ou hindus, praticantes de rigoroso ascetismo religioso, com o qual superam sofrimentos físicos, inclusive a fome e a capacidade de dormir em cama de pregos.
Hoje eles são raros. Mas nos anos 50 eram populares no Brasil por causa das façanhas de Adelino João da Silva (1922-1998), cujas apresentações comoviam o País. A imprensa, em especial a revista “O Cruzeiro”, então líder em vendagem, lhe dedicava longas reportagens, fazendo dele uma celebridade. Chegou a ficar três meses sem comer. Entrou no “Guiness”, dos recordes. Não é difícil concluir que as faquiresas surfavam na sua fama.
Jaú não escapou desse modismo. Salvo engano, em 1958, uma delas se apresentou no Clube Luiz Gama, onde hoje se encontra a Casas Bahia. Durante vários dias, talvez umas duas semanas, atraiu a atenção da cidade e assim prosseguiria enquanto a bilheteria continuasse rendendo, se um episódio até hoje confuso, e de veracidade não comprovada, provocasse sua partida inesperada (caso alguma testemunha da época tenha informações precisas, que se apresente, por favor). Eis o que teria acontecido, segundo até onde as lembranças difusas podem alcançar: numa noite, por volta das 2h, um funcionário do “Comércio do Jahu”, após encerrar sua jornada, cruzou a Praça Siqueira Campos, como sempre fazia ao ir para casa. Além de ser o seu caminho, ele gostava de parar no Bar Jahu, tradicional reduto dos notívagos em uma das esquinas da Visconde do Rio Branco com a Edgard Ferraz, para trocar ideias. As luzes acesas do Clube Luiz Gama naquelas horas avançadas chamaram sua atenção. Não precisou fazer maior esforço investigativo para verificar que a faquiresa estava jantando com apetite, instalada em uma mesa. Certamente não seria a primeira vez. Seguramente, a palidez que exibia era fruto de maquiagem. Talvez o descuido que a levou a ser flagrada tenha decorrido do excesso de confiança da equipe, habituada à impunidade jamais castigada.
Naquele dia, o salão do Clube Luiz Gama amanheceu vazio."

"Comércio do Jahu", Jaú, SP, 11 de setembro de 2015

"Comércio do Jahu", Jaú, SP, 11 de fevereiro de 1958
Fonte: Arquivo Histórico Dr. Raul Bauab

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"A morta viva"

Em abril de 1928, chamou grande atenção no Rio de Janeiro a prova de jejum realizada pela faquiresa alemã Gitty na rua da Carioca.
Encerrada em seu "quarto de cristal", como era chamado pela imprensa o espaço dentro do qual ela permanecia exposta, Gitty passava seus dias "bebendo calmamente águas minerais e fumando deliciosos cigarros de fumo louro".
Sensacionalistas, os anúncios da exibição chamavam o público para assistir "a morta viva", "assombrosa novidade" da "Índia misteriosa".


"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 11 de abril de 1928
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

"O Malho", 28 de abril de 1928
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

terça-feira, 22 de setembro de 2015

"A faquiresa fugiu da urna"

Desde seu início, no dia 13 de março de 1959, a prova de jejum realizada por Suzy King na galeria Ritz, em Copacabana, não vinha correndo bem.
Tudo já começara mal no tumultuado desfile com o qual a artista, cavalgando seminua pelo centro do Rio de Janeiro, pretendia divulgar sua exibição.
Nos dias seguintes, o nome de Suzy King realmente estaria nas páginas dos principais jornais do Brasil, mas não da forma como ela queria: o público avançara sobre a faquiresa durante o desfile, deixando-a completamente nua em plena avenida Rio Branco.
Encerrada em sua urna, Suzy King protagonizou diversos episódios bastante confusos na pequena sala em que se encontrava exposta na galeria Ritz.
Vários deles envolviam agressões do público contra ela: em um deles, por exemplo, uma menina que oferecia uma garrafa de leite a Suzy King, diante de sua recusa, teria quebrado a garrafa na urna.
Em outra ocasião, a confusão partira dela, que mandara sua empregada incendiar a cortina da sala de exibição para distrair o segurança contratado para vigiá-la enquanto ela fugia. O plano, porém, foi descoberto por ele.
Prevista para durar cento e dez dias, a prova vinha sendo tão penosa para Suzy King que ela não desistia de traçar planos de fuga.
Finalmente, depois de cinquenta e três dias sem comer, a jejuadora quebrou a marteladas sua urna e conseguiu abandoná-la.
Flagrada pelo segurança Nocaute Jack, lutador que ficaria conhecido anos mais tarde como massagista da Seleção Brasileira de Futebol, Suzy King foi levada para a delegacia, de onde saiu em uma ambulância, após sofrer um violento ataque de nervos.



"Luta Democrática", Rio de Janeiro, RJ, 07 de maio de 1959
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Os faquires também cantam

Em 1970, ao que tudo indica, as faquiresas já estavam extintas no Brasil, mas ainda surgiam, em algumas partes do país, ainda que raramente, alguns homens dispostos a se exibirem jejuando encerrados em urnas de vidro, deitados sobre pregos, cercados por serpentes, no mesmo modelo clássico do faquirismo praticado em seu auge, nos anos 50.
Um desses faquires obteve grande destaque na imprensa nacional naquele ano por sua prova realizada no Rio de Janeiro, com a qual afirmava que quebraria o recorde mundial de jejum: Zokan.
Embora aclamado como campeão ao fim de cento e trinta e dois dias sem comer, seu recorde era menor, por exemplo, do que o alcançado pelo faquir brasileiro Lookan em 1958, depois de cento e trinta e quatro dias jejuando.
Dez anos depois, em 1980, com apenas cento e quinze dias sem comer alcançados em prova realizada em São Paulo, o faquir Silki seria aclamado campeão mundial de jejum e seria a vez do recorde de Zokan ser ignorado pelo público, que sempre teve memória curta para o faquirismo.
A prova de jejum de Zokan em 1970 foi agitada: além de ter a imagem de sua santa de devoção roubada, o faquir não poupava energia, ao contrário de jejuadoras como Suzy King e Sandra, que mantinham em suas salas de exibição avisos ao público de que não deviam nem ao menos falar com elas.
Quase todas as noites, Zokan cantava acompanhado pelo violão de seu assistente Ben-Hur, que queria ser ator e também estrearia no faquirismo em breve, jejuando durante quinze dias em Aparecida do Norte para pagar uma promessa que fizera.
A cantoria de Zokan não parava por aí: próximo de completar os primeiros trinta dias de prova, ele anunciava à imprensa que gravaria, dentro de sua urna, quatro músicas mexicanas, as quais seriam distribuídas em diversas emissoras de rádio.


"Tribuna da Imprensa", Rio de Janeiro, RJ, 27 de abril de 1970
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 20 de setembro de 2015

Grandes apaixonados e inimigos fervorosos

A relação entre os faquires e seu público costumava ser bastante intensa.
Ao contrário da maior parte dos artistas, cujo contato com a platéia é breve e se resume a uma ou duas horas que passam no palco, os jejuadores ficavam expostos dias inteiros por longos períodos, separados das pessoas que iam assisti-los apenas pelo vidro da urna em que se encontravam encerrados.
Tal situação era propícia para que eles ganhassem grandes apaixonados e também inimigos, alguns dos quais tão fervorosos que chegavam até a ameaçar matá-los.
Foi o caso, por exemplo, de alguém que se escondia sob a alcunha Mão do Diabo e enviou uma carta ao pavilhão onde jejuava o casal de faquires Yone e Lookan em busca do recorde mundial de jejum nas modalidades masculina e feminina.
Nela, Mão do Diabo dizia que mataria Lookan e confessava seu amor por Yone.




"O Dia", São Paulo, SP, 15 de janeiro de 1958
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

sábado, 19 de setembro de 2015

"Um popular acabou com a 'casa de diversões' da avenida São João"

Entre o final de março e o início de maio de 1955, na capital paulista, a avenida São João oferecia ao público uma boa variedade de faquires - quem passasse por lá naqueles meses poderia tanto prestigiar uma dupla atração nacional como o casal Urbano e Mara, expostos em urnas instaladas lado a lado no número 601, quanto a faquiresa inglesa Margareth, filha do famoso faquir Horbia Usem, no número 520 ou 1518 (as reportagens variam em relação ao endereço correto da exibição).
Porém, quem escolhesse pagar para ver Margareth ficaria bastante decepcionado - enquanto o casal de jejuadores completou os vinte e cinco dias sem comer que haviam prometido com êxito, a faquiresa estrangeira foi flagrada comendo alguns dias depois de ter sido encerrada em sua urna de vidro e teve que interromper sua exibição.


"Folha da Tarde", São Paulo, SP, 06 de maio de 1955
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

1957: Yone em Bauru

No dia 09 de maio de 1957, a faquiresa Yone foi encerrada dentro de uma urna de vidro em Bauru, no interior de São Paulo, onde deveria passar trinta dias jejuando deitada sobre uma cama de pregos, cercada por serpentes.
Dezoito cadeados garantiam que sua urna seria mantida fechada até o final da exibição, tendo sido distribuídas trinta e seis chaves deles a autoridades e representantes da imprensa, os quais deveriam devolvê-las no dia da abertura da urna.
Tal procedimento era comum em quase todas as provas de faquirismo realizadas no Brasil na época.


"Correio Paulistano", São Paulo, SP, 18 de maio de 1957
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/jornais_revistas


Yone em Bauru, 1957

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

"Uma mulher original"

A primeira referência a uma mulher se exibindo como faquiresa no Brasil data de 1923, quando a francesa Rose Rogé passou oito dias sem comer enterrada em um cinema no centro do Rio de Janeiro.
A artista tinha sido costureira e dona de pensão na capital carioca anos antes, mas perdera tudo o que tinha depois de um escândalo que envolvera seu nome com o de um padre apaixonado por ela.
Passando fome nas ruas do Rio de Janeiro, Rose Rogé percebeu então que poderia ganhar dinheiro se exibindo em público sem comer durante vários dias e iniciou sua batalha por um espaço onde pudesse permanecer exposta jejuando.
Por seu pioneirismo, ela foi aclamada como grande heroína pela imprensa da época, que via no surgimento de uma mulher na arte do faquirismo uma importante conquista feminina.


"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 20 de janeiro de 1923
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

1958: Sandra em Caxias do Sul

No início do ano em que se tornaria campeã mundial de jejum feminino - 1958 - depois de oitenta e três dias jejuando deitada sobre cacos de vidro na companhia de algumas cobras, a faquiresa Sandra fez um "aquecimento" em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, ali se exibindo durante trinta e cinco dias.
Naquela ocasião, a prova de jejum de Sandra coincidiu com a realização da tradicional Festa da Uva na cidade, o que tornou a faquiresa uma das grandes atrações dos festejos daquele ano.


"Pioneiro", Caxias do Sul, RS, 15 de fevereiro de 1958
Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Caxias do Sul, RS

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Solicitação para jejuar

Nos anos 50, no auge do faquirismo no Brasil, antes de iniciar uma prova de jejum em uma cidade, era necessário que o faquir ou seu empresário fizesse uma solicitação à prefeitura local para que pudesse realizar sua exibição.
A faquiresa Verinha, por exemplo, quando pretendia se apresentar em Campinas em 1958, precisou dirigir tal solicitação duas vezes à prefeitura municipal, visto que a primeira delas foi indeferida.
Apenas em sua segunda tentativa, a artista obteve a autorização que desejava, iniciando então os preparativos para sua prova.
Em Campinas, Verinha jejuaria durante quarenta e dois dias deitada sobre pregos e cercada por serpentes, encerrada em uma urna de vidro instalada dentro de um pavilhão montado em um terreno baldio na rua General Osório, quase esquina com a rua José Paulino.
A pedido da própria faquiresa Verinha, que não deseja ter sua verdadeira identidade revelada, seu nome foi coberto por uma tarja preta todas as vezes em que aparece na documentação que publicamos nessa postagem.


Fonte: Arquivo Municipal de Campinas, Campinas, SP
 







Fonte: Arquivo Municipal de Campinas, Campinas, SP


Verinha
"Correio Popular", Campinas, SP, 25 de abril de 1958
Fonte: Rede Anhanguera de Comunicação, Campinas, SP

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Um homem engarrafado e uma mulher enterrada viva"

Hosanna de Barros parece ter sido a primeira faquiresa realmente brasileira, iniciando suas exibições de faquirismo no país pouco tempo depois da francesa Rose Rogé.
Alagoana, prima em terceiro grau do marechal Floriano Peixoto, ex-presidente da República, a artista era esposa do compositor, cantor e professor de violão Josué de Barros, que ficaria conhecido mais tarde como o homem que descobriu Carmen Miranda e também se dedicava às provas de jejum na época.
Ao lado do marido, Hosanna de Barros passou vários dias exposta jejuando em São Paulo em 1927, no teatro Apollo - ele dentro de uma garrafa de cristal e ela encerrada em uma urna.


"A Gazeta", São Paulo, SP, 07 de fevereiro de 1927
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 13 de setembro de 2015

Faquiresa Nadia Goya na Itália, 1952

Mais um raro registro em vídeo da exibição de uma faquiresa.
Prova de jejum realizada na Itália em 1952, quando a faquiresa Nadia Goya pretendia bater o recorde mundial de jejum.


Fonte: Archivio Storico Istituto Luce

sábado, 12 de setembro de 2015

Faquiresa Lys Chelys em Lille, na França, 1951

Raro registro em vídeo da exibição de uma faquiresa.
Prova de jejum realizada em Lille, na França, em 1951, quando a faquiresa Lys Chelys pretendia bater o recorde mundial de jejum.


Fonte: Gaumont Pathé Archives

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sandra, campeã gaúcha de faquirismo em 1956 e campeã mundial de jejum feminino em 1958

Ao longo dos anos 50, obteve grande sucesso no Rio Grande do Sul com suas provas de jejum a faquiresa gaúcha Sandra, nascida em Torres ou Osório, de acordo com os jornais da época.
Depois de se tornar campeã gaúcha de faquirismo em 1956 após uma exibição de trinta e um dias em Porto Alegre deitada sobre uma cama de seiscentos pregos ao lado de uma serpente, Sandra voltou a jejuar na cidade no final de 1958, na praça Parobé, onde também se exibia, no mesmo período, a faquiresa paulista Malba.
Malba se tornaria campeã mundial de jejum feminino depois de oitenta dias sem comer em novembro daquele ano e Sandra a suplantaria poucos dias depois, em dezembro, com oitenta e três dias de jejum, dessa vez deitada sobre cacos de vidro e novamente cercada por cobras.



"Correio do Povo", Porto Alegre, RS, setembro de 1958
Fonte: Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho, Porto Alegre, RS

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Lançamento do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" em Campinas

Hoje, quinta-feira, 10 de setembro de 2015, o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" será lançado na Livraria da Vila, no Shopping Galleria, na rodovia D. Pedro I, s/n, em Campinas, entre as 18h30 e as 21h30.
O lançamento contará com a presença dos autores autografando o livro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Noite de alegria! Flores, etc. , etc."

Desde o início de sua prática no Brasil, as provas de faquirismo eram anunciadas com grande sensacionalismo pela imprensa.
Um bom exemplo disso é um anúncio publicado em 1928 chamando o público para assistir a saída de Arady Rezende de sua urna depois de dez dias de jejum.
"Noite de alegria! Flores, etc. etc.", prometia o jornal para a noite do final da prova da jovem faquiresa.


"Folha da Noite", São Paulo, SP, 05 de maio de 1928
Fonte: Acervo Folha

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Relação das provas de jejum realizadas por mulheres no Brasil (1923 - 1965)

Ao longo de três anos de pesquisa, os autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome" encontraram referências a mais de cinquenta provas de jejum realizadas por mulheres no Brasil entre 1923 e 1965.
Pouco mais de vinte faquiresas foram as responsáveis por esse número de exibições de faquirismo em território nacional, entre as quais menos de dez eram estrangeiras.
Embora a relação dessas provas feita pelos autores ainda esteja muito longe de ser completa, ela dá um bom panorama do cenário do faquirismo feminino no país.
É essa relação que disponibilizamos nessa postagem, organizada por ordem alfabética pelos nomes usados pelas faquiresas em suas apresentações.

Arady Rezende


Prova realizada simultaneamente ao lado de Américo Piza, cada um encerrado em sua urna.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Avenida São João, 99 – São Paulo – SP ou Avenida São João, 103, andar térreo – São Paulo - SP
Início: 03 de março de 1928, às 15 horas
Término: 12 de março de 1928
Duração prevista: 10 dias
Duração real: 10 dias
Empresário: Galetto Santos
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Avenida Rangel Pestana, 192, no Parque de Diversões de propriedade da Empresa Paulista de Diversões Ltd. ou no Cine Colyseu do Braz – São Paulo – SP ou Avenida Rangel Pestana, 119, no Parque de Diversões – São Paulo - SP
Início: 28 de abril de 1928
Término: 07 de maio de 1928, às 21 horas
Duração prevista: 10 dias
Duração real: 10 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo enterrada viva em um esquife de vidro.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Teatro Guarany, saguão, Santos - SP
Início: 27 de maio de 1928
Término: 05 de junho de 1928, às 20 horas
Duração prevista: 10 dias
Duração real: 10 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova realizada simultaneamente ao lado de Américo Piza, cada um encerrado em sua urna de cristal.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Rua 15 de Novembro – São Paulo – SP
Início: 09 de março de 1929
Término:
Duração prevista: 15 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova realizada simultaneamente ao lado de Américo Piza, cada um encerrado em seu caixão mortuário.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Avenida São João, 188 – São Paulo – SP
Início: 28 de dezembro de 1929, às 16 horas
Término:
Duração prevista: 10 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- RJ (anterior a 24 de maio de 1928)

Djanira Junqueira


Prova solo enterrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Cinema Delícia – Maceió – AL
Início:
Término: Anterior a 12 de março de 1929
Duração prevista:
Duração real: 10 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna envidraçada.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Exposição de Indústrias, em Mont-Serrat - BA
Início:
Término: Anterior a 27 de novembro de 1931
Duração prevista:
Duração real: 23 dias
Empresário: Pinheiro & Machado, negociantes cariocas, organizadores do certame industrial de Mont-Serrat
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Dzy Tzú


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos
Local de exibição: Juiz de Fora - MG
Início: 01 de dezembro de 1957
Término: 31 de dezembro de 1957
Duração prevista: 30 dias
Duração real:
Empresário:
Médico: José Tostes
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- Local desconhecido, duração de 40 dias (anterior a dezembro de 1957)

Gitty


Prova solo encerrada em uma caixa de cristal.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Rua da Carioca, 26, loja do prédio – Rio de Janeiro - RJ
Início: 03 de abril de 1928, às 17 horas
Término: 20 de abril de 1928, às 17 horas
Duração prevista: 18 dias
Duração real:
Empresário: Alfredo Weltzer, Paulo Bonn ou Paulo Brum
Médico: Miguel Salles, Cândido Godoy
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada numa gaiola transparente.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Rua Formosa, 18-A, Casa Elfe – São Paulo - SP
Início: 06 de junho de 1928, às 16 horas
Término:
Duração prevista: 15 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma gaiola de cristal.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Rua da Carioca, 26 – Rio de Janeiro - RJ
Início: 30 de outubro de 1929, às 16 horas
Término: 02 de novembro de 1929
Duração prevista: 25 dias
Duração real: 3 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova: Posto Central

Teria realizado provas também em:

- Berlim, Alemanha

Hosanna de Barros

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Rua Nova, 370, loja do prédio contíguo ao da Confeitaria Bijou – Recife - PE
Início: 03 de setembro de 1925, à tarde
Término: 07 de setembro de 1925, às 16 horas, no Teatro de Santa Isabel
Duração prevista: 5 dias
Duração real: 5 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova realizada simultaneamente ao lado de Josué de Barros, ela encerrada em uma urna e ele em uma garrafa.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Apollo, sala de espera – São Paulo – SP
Início: 12 de fevereiro de 1927
Término: 12 de março de 1927
Duração prevista: 10 dias
Duração real: 10 dias
Empresário:
Médico: Bráulio Conrado, Luiz Vaz, Quirino Pucca, Álvaro Gonçalves
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- Buenos Aires, Argentina
- BA
- CE

Iliana


Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Avenida Dantas Barreto, Teatro Marrocos, salão – Recife - PE
Início: 08 de fevereiro de 1956, às 17 horas
Término: 18 de abril de 1956, na quadra de basquete do Sport Club do Recife, na Ilha do Retiro, às 21 horas
Duração prevista: 70 dias
Duração real: 70 dias
Empresário: Vicente Gonçalves Cabistany, Arídio Cabral
Médico: Leduar de Assis Rocha, José Otávio Cavalcanti, Júlio de Oliveira
Hospital para onde foi levada após a prova: Casa de Saúde São Marcos

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Praça Justo Chermont, Palácio Indiano ou Palácio Oriental – Belém - PA
Início: 21 de setembro de 1956, às 19:30 horas
Término: 20 de novembro de 1956, às 20 horas
Duração prevista: 60 dias
Duração real: 60 dias
Empresário: Vicente Gonçalves Cabistany
Médico: Lucimar Ribeiro ou Luciano Ribeiro
Hospital para onde foi levada após a prova: Santa Casa

Teria realizado provas também em:

- SP, duração de 45 dias (1949)
- Curitiba - PR, duração de 20 dias (anterior a 26 de fevereiro de 1956)

Malba


Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cama de cacos de vidro, cobras
Local de exibição: Praça Parobé – Porto Alegre - RS
Início: 10 de setembro de 1958
Término: 30 de novembro de 1958, à noite
Duração prevista: 80 dias
Duração real: 80 dias
Empresário: José Munno, Manoel Alves ou Manoel Alvez, Victor Rafael Vai
Médico: Moacyr Guterres Ribeiro
Hospital para onde foi levada após a prova: Não foi levada para um hospital, mas sim para a casa de um amigo de Silki, na rua Três Passos, 47, na Vila do IAPI

Teria realizado provas também em:

- Itajubá – MG (anterior a 26 de setembro de 1958)

Mara


Prova realizada simultaneamente ao lado de Urbano, cada um encerrado em sua urna de vidro.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Avenida São João, 601, perto do Cine Ritz – São Paulo - SP
Início: 31 de março de 1955, às 20 horas
Término:
Duração prevista: 25 dias
Duração real: 25 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova realizada em parte simultaneamente ao lado de Urbano, cada um encerrado em sua urna de vidro (entre 17 de novembro de 1955 e 17 de dezembro de 1955), em parte solo (entre 18 de dezembro de 1955 e 23 de janeiro de 1956).
Elementos: Jejum, cama de pregos
Local de exibição: Avenida Rio Branco, 181, Cineac Trianon, sobreloja – Rio de Janeiro - RJ
Início: 17 de novembro de 1955, às 17 horas
Término: 23 de janeiro de 1956, às 18 horas, no auditório da Rádio Mundial
Duração prevista: 60 dias
Duração real: 67 dias
Empresário:
Médico: Heraldo Costa
Hospital para onde foi levada após a prova: Instituto Cirúrgico Gabriel de Lucena

Teria realizado provas também em:

- Bogotá, Colômbia, duração de 35 dias (1950)
- Porto Rico
- Salvador - BA (posterior a 27 de fevereiro de 1956, tendo como empresário José de Andrade, conhecido como Pacheco)
- Até 17 de novembro de 1955, teria realizado 12 provas de faquirismo

Marciana


Prova solo encerrada em uma urna, iniciada no bairro da Penha. Depois de algum tempo, a urna de Marciana seria transferida para o largo do Paissandú, porém não se sabe se isso chegou a acontecer.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Largo do Rosário, bairro da Penha – São Paulo – SP e Largo do Paissandú – São Paulo - SP
Início: 32 dias em 22 de janeiro de 1958
Término:
Duração prevista: 94 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:
 
Prova realizada simultaneamente ao lado de Líbano.
Elementos:
Local de exibição: Sala no Edifício Finotti – Uberlândia – MG
Início: No dia 24 de novembro de 1958, a exibição já tinha começado. Não se sabe há quantos dias, nem quanto tempo durou depois.
Término:
Duração prevista:
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- RJ
- Bauru - SP, duração de 56 dias
- São Carlos - SP

Margareth


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos
Local de exibição: Avenida São João, 520, salão – São Paulo – SP ou Avenida São João, 1518 – São Paulo - SP
Início:
Término: 05 de maio de 1955
Duração prevista: 28 dias
Duração real:
Empresário: Fernando Ruiz Salerio ou Fernando Luís Salerio, Regino Gino Salerio, Werner Milum (Horbia Usem), Osvaldo Prado
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Marilú

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: Ao lado do Bar Paraná – Porto União – SC ou União da Vitória - PR
Início: 07 de março de 1956, às 10:30 horas
Término: 17 de março de 1956
Duração prevista: 10 dias e 8 horas
Duração real:
Empresário:
Médico: José Jorge
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cacos de vidro
Local de exibição: Rua General Glicério, salão, nas proximidades da Cadeia Pública – São José do Rio Preto - SP
Início: 23 de dezembro de 1957
Término: 05 ou 06 de janeiro de 1958
Duração prevista: 40 dias
Duração real: 13 ou 14 dias
Empresário: Antônio Rodrigues Ferreira
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- MA (anterior a 29 de dezembro de 1957)
- Território do Acre (anterior a 29 de dezembro de 1957)
- Penápolis – SP (anterior a 29 de dezembro de 1957)

Princesa Yirak


Prova solo encerrada em uma câmara de vidro. Iniciada em Belém, PA, transferida para Manaus (AM) e devendo ser transferida ainda mais uma vez para Caracas, na Venezuela, o que não se sabe se chegou a acontecer.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: Belém – PA (40 dias), sede do Nacional Futebol Clube, Manaus – AM (40 dias) e Caracas – Venezuela (40 dias)
Início: Chegou em Manaus no dia 10 de abril de 1960 (Presumidamente: 01 de março a 10 de abril em Belém, 10 de abril a 20 de maio em Manaus, 20 de maio a 30 de junho em Caracas).
Término:
Duração prevista: 120 dias
Duração real:
Empresário: Claude de Maurepas
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Rose Rogé


Prova solo enterrada viva em uma urna funerária.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Avenida Rio Branco, 110, loja, ou Cinema Central – Rio de Janeiro - RJ
Início: 14 de janeiro de 1923, às 14 horas, no Coliseu do Centenário, Praça de Touros – Rio de Janeiro - RJ
Término: 21 de janeiro de 1923, às 12:00
Duração prevista: 8 dias
Duração real: 8 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Rossana


Prova solo encerrada em uma urna de cristal.
Elementos: Jejum, cacos de vidro, cobras
Local de exibição: Rua dos Carijós, 408 – Belo Horizonte - MG
Início: 28 de janeiro de 1955, às 18 horas
Término: 17 de fevereiro de 1955, às 21:30, no estádio do Paissandú
Duração prevista: 20 dias
Duração real: 20 dias
Empresário: José Eloy dos Santos ou José Eloy de Matos
Médico: Geraldo Fortes
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cacos de vidro, cobras
Local de exibição: Avenida Rio Branco, 181, Cineac Trianon – Rio de Janeiro - RJ
Início: 07 de agosto de 1955, às 21:30 horas
Término: 28 de agosto de 1955, de madrugada
Duração prevista: 60 dias
Duração real: 19 ou 20 dias
Empresário: Neto, Ernani Soares da Silva
Médico: Heraldo Costa
Hospital para onde foi levada após a prova: Souza Aguiar e Casa de Saúde Santa Lúcia, quarto 15

Teria realizado provas também em:

- Bagé – RS (anterior a 28 de janeiro de 1955)
- Ilhéus – BA (anterior a 28 de janeiro de 1955)

Sandra


Prova solo encerrada em uma urna de cristal.
Elementos: Jejum, cama de pregos
Local de exibição: Rua 24 de maio, esquina da Rua Vitorino – Rio Grande - RS
Início: 17 de dezembro de 1950
Término:
Duração prevista: 10 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova: Santa Casa

Prova solo encerrada em uma urna de cristal.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Rua Acampamento, 55 – Santa Maria - RS
Início: 03 de setembro de 1951
Término: 18 de setembro de 1951, no Cinema Imperial
Duração prevista: 15 dias
Duração real: 15 dias
Empresário: Alcides de Souza Aguiar
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Praça 15 de Novembro, prédio, próximo à rua Voluntários da Pátria, Porto Alegre - RS
Início: 19 de dezembro de 1955
Término: 18 de janeiro de 1956
Duração prevista: 25 dias
Duração real: 31 dias
Empresário: Angelino Cruz Pontes, Homero dos Santos
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Edifício ao lado da Bomboniére Cairo, que foi salão de exposição de automóveis – Caxias do Sul - RS
Início: 25 de fevereiro de 1958
Término: 31 de março de 1958
Duração prevista: 35 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna.
Elementos: Jejum, cama de cacos de vidro, cobras
Local de exibição: Praça Parobé – Porto Alegre - RS
Início: 20 de setembro de 1958
Término: 13 de dezembro de 1958
Duração prevista: 82 dias
Duração real: 83 dias e 16 horas
Empresário: Angelino Cruz Pontes
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova: São Francisco, Pavilhão São José, quarto 208

Teria realizado provas também em:

- Osório – RS, duração de 15 dias (1948)
- Bagé – RS (anterior a 03 de dezembro de 1955)
- Santos – SP, duração de 19 dias (anterior a 03 de dezembro de 1955)
- A prova realizada por ela na Praça Parobé em 1958 teria sido sua 12ª prova de faquirismo

Suzy King


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: Rua Halfed, 763, galeria do Edifício Juiz de Fora – Juiz de Fora - MG
Início: 02 de março de 1956, às 22 horas, no Cine Teatro Glória
Término:
Duração prevista: 20 dias
Duração real:
Empresário: Nogueira
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: São Paulo - SP
Início: Anterior a 15 de maio de 1956
Término:
Duração prevista:
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 610, Galeria Ritz, loja 3 – Rio de Janeiro - RJ
Início: 13 de março de 1959
Término: 06 de maio de 1959, de madrugada
Duração prevista: 110 dias
Duração real: 53 dias
Empresário: Rocha
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova: Posto de Assistência do Lido

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Copacabana – Rio de Janeiro - RJ
Início: 53 dias antes de 21 ou 22 de janeiro de 1960
Término: 21 ou 22 de janeiro de 1960
Duração prevista:
Duração real: 53 dias
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Verinha


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Rua General Osório, quase esquina com a Rua José Paulino, ao lado do Palácio da Justiça – Campinas - SP
Início: 15 de março de 1958, às 20 horas
Término: 26 de abril de 1958, às 20:30 horas, no salão do Edifício Catedral, na rua Francisco Glicério, esquina com a rua Costa Aguiar
Duração prevista: 40 dias
Duração real: 42 dias
Empresário: Odilon Arantes, Artêmio Alves de Araújo ou Artênio Alves de Araújo, Paschoal Virgílio
Médico: Caetano Virgílio Netto, Carlos Hossri, Antônio Hossri
Hospital para onde foi levada após a prova: Casa de Saúde Nossa Senhora Aparecida

Wilmara


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Avenida João Pessoa, 10 – Curitiba - PR
Início: 05 de março de 1951, às 19 horas
Término: 19 de março de 1951, às 21 horas, no Pavilhão Carlos Gomes
Duração prevista: 15 dias
Duração real: 15 dias
Empresário: Alcides Aguiar
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Yone


Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Bauru - SP
Início: 09 de maio de 1957
Término:
Duração prevista: 30 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova realizada simultaneamente ao lado de Lookan, cada um encerrado em sua urna de vidro.
Elementos: Jejum, cama de pregos, cobras
Local de exibição: Praça do Correio – São Paulo - SP
Início: 14 de novembro de 1957, às 20 horas
Término: 29 de janeiro de 1958, às 20 horas
Duração prevista: 97 dias
Duração real: 76 dias
Empresário: Artêmio Alves de Araújo ou Artênio Alves de Araújo, Miguel Nasseh ou Miguel Jorge Nasser, Odilon Arantes
Médico: Caetano Virgílio Netto, Mário Finocchiaro ou Mário Pinochiario, Rubens Segal
Hospital para onde foi levada após a prova: Hospital Centenário

Zaida


Prova solo encerrada em um sarcófago de cristal.
Elementos: Jejum
Local de exibição: Largo do Paissandú, 23, esquina da Avenida São João
Início: 07 de março de 1951, às 18 horas
Término:
Duração prevista: 56 dias
Duração real:
Empresário: Francisco Nasello
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Teria realizado provas também em:

- Santiago, Chile (anterior a 03 de março de 1951)
- Córdoba, Argentina (anterior a 03 de março de 1951)
- Mendoza, Argentina (anterior a 03 de março de 1951)
- Tucumán, Argentina (anterior a 03 de março de 1951)
- Rosário, Argentina (anterior a 03 de março de 1951)
- Buenos Aires, Argentina (anterior a 03 de março de 1951)

Faquiresas não identificadas

Prova solo encerrada em uma urna de vidro.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: Rua Edgar Ferraz, salão, defronte à praça Siqueira Campos – Jaú - SP
Início: 01 de fevereiro de 1958
Término:
Duração prevista: 45 dias
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova:

Prova solo.
Elementos: Jejum, cobras
Local de exibição: No local do antigo jardim Siqueira Campos – Caruaru - PE
Início: Anterior a 26 de agosto de 1965
Término:
Duração prevista:
Duração real:
Empresário:
Médico:
Hospital para onde foi levada após a prova: