Cravo na Carne - Fama e Fome


Blog do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome", de Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, publicado pela editora Veneta em 2015.
Contemplado pelo Prêmio Carequinha, da Funarte, "Cravo na Carne - Fama e Fome" traz as histórias de onze mulheres que entre os anos 20 e 50 do século XX, se exibiram como faquiresas no Brasil.
Muito populares na época, as provas de faquirismo consistiam, em sua maioria, no encerramento do faquir ou da faquiresa em uma urna transparente durante um determinado período de dias, semanas ou até mesmo meses, em absoluto jejum, muitas vezes sobre pregos ou cacos de vidro e ao lado de cobras.
O ar de mistério e tragédia que envolvia a exótica profissão não se limitava aos locais onde se realizavam tais provas e também se fazia presente nas vidas pessoais de seus representantes.
O que levaria uma mulher a escolher o faquirismo como arte e profissão em uma época em que optar por carreiras como as de atriz ou cantora já era o suficiente para que não fossem bem vistas pela sociedade preconceituosa e moralista de então?
Quem foram nossas faquiresas?
Como elas eram vistas por seus contemporâneos?
Buscando responder a essas e a outras perguntas, Alberto de Oliveira e Alberto Camarero realizaram extensa pesquisa, cujos resultados trazem à tona em "Cravo na Carne - Fama e Fome", o primeiro livro no mundo sobre a arte circense do faquirismo.

Entre em contato com os autores através do e-mail:

famaefome@gmail.com

Para comprar "Cravo na Carne - Fama e Fome":

Loja Veneta - http://www.lojaveneta.com.br/produtos/cravo-na-carne-fama-e-fome/


Saraiva - http://www.saraiva.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-8908519.html


Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/p/cravo-na-carne-42962726


Livraria da Travessa - http://www.travessa.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil/artigo/858eb6a3-89c7-45ec-aaf8-6f099645d38f

Amazon - http://www.amazon.com.br/Cravo-Carne-Faquirismo-Feminino-Brasil/dp/8563137417

Martins Fontes Paulista - http://www.martinsfontespaulista.com.br/cravo-na-carne-497638.aspx/p

Livrarias Curitiba - http://www.livrariascuritiba.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-veneta-lv382979/p

Arte Pau Brasil - http://www.artepaubrasil.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-698849-p536467

Este projeto foi contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE CAIXA CAREQUINHA DE ESTÍMULO AO CIRCO

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Porto Alegre, 1958: proibição de futuras provas de faquirismo

Em novembro de 1958, a faquiresa Malba bateu o recorde mundial de jejum depois de oitenta dias de exibição em Porto Alegre encerrada numa urna de cristal, deitada sobre cacos de vidros e cercada por serpentes.
Sua glória duraria pouco - dias depois, em dezembro daquele ano, seu recorde seria suplantado pela faquiresa Sandra, que passara oitenta e três dias jejuando, também na capital gaúcha.
As provas simultâneas de Malba e Sandra em Porto Alegre em 1958 causaram tanta confusão na cidade que ao fim do jejum de Malba, a imprensa local noticiava que a Censura decidira proibir futuras provas de faquirismo.


"Diário de Notícias", Porto Alegre, RS, 02 de dezembro de 1958
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 30 de agosto de 2015

A faquiresa que raptava criancinhas

Em 1959, a faquiresa Marciana se viu no centro do rumoroso caso do sequestro de três irmãos, um menino e duas meninas.
Acusada pela mãe das crianças, que residia em São Paulo, a artista foi presa em Goiás e revelou para a polícia o paradeiro delas, que tinham sido deixadas em Minas Gerais.
A repercussão do caso foi tão grande na época que fez com que viessem à tona outros casos de rapto de menores nos quais estaria envolvida a faquiresa, entre os quais o de uma menina, também de São Paulo.
Marciana, porém, negava tudo, chegando a jurar de joelhos na delegacia que nada tinha com o desaparecimento dessa quarta criança.



"Última Hora", São Paulo, SP, 30 de abril de 1959
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sábado, 29 de agosto de 2015

Rossana por Mendez (1955)

Quando o faquirismo se encontrava em seu auge no Brasil, em meados dos anos 50, várias faquiresas foram retratadas em caricaturas, ilustrações e charges publicadas em jornais e revistas.
Até mesmo o famoso caricaturista Mendez chegou a desenhar uma delas, Rossana, durante sua exibição no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, em 1955.
A caricatura de Rossana feita por Mendez ilustrou um pequeno texto sobre a faquiresa e sua arte publicado no jornal "A Noite" quando ela ainda se encontrava jejuando, dias antes de desistir da prova e abandonar sua urna.
 
 
"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 20 de agosto de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Anos 60: desprestígio e extinção

A partir do final dos anos 50, as exibições de faquirismo se tornaram cada vez mais raras no Brasil.
Embora alguns homens ainda tenham se destacado em provas de jejum até 1980, as mulheres que se dedicavam à profissão desapareceram do país ainda nos anos 60.
Uma das poucas referências encontradas sobre uma faquiresa jejuando em território nacional nos anos 60 data de 1965, quando uma sessão a respeito de Caruaru publicada no "Diário de Pernambuco" comentava a apresentação de uma artista do gênero que passava fome na cidade ao lado de sete cobras.
É fácil constatar pelo tom da nota o desprestígio das faquiresas naquela época, mesmo em uma cidade interiorana, um dos principais fatores que contribuiriam para a extinção delas.
 
 
"Diário de Pernambuco", Recife, PE, 26 de agosto de 1965
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

"Com a ajuda de um travesseiro, esmagou contra a cama de pregos a traiçoeira cobra"

Hoje em dia, provavelmente, a realização de uma prova de faquirismo seria bem mais difícil do que era no passado, pois encontraria diversas barreiras.
Alguns episódios que ocorriam sem grande alarde ao longo das exibições de faquires e faquiresas no Brasil em outros tempos seriam realmente impensáveis atualmente.
Em 1957, por exemplo, quando pretendia bater o recorde mundial de jejum em São Paulo, o faquir Lookan, marido da faquiresa Yone, matou dentro de sua urna de vidro uma cobra que tentara lhe atacar.
O caso foi comentado pela imprensa na época com sensacionalismo, mas sem que se fizesse qualquer crítica ao faquir em defesa da serpente assassinada.
Se isso se passasse agora, com certeza a repercussão seria bem diferente...




"O Dia", São Paulo, SP, 09 de novembro de 1957
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

"Cravo na Carne - Fama e Fome" na revista "Superinteressante"

Na revista "Superinteressante" de setembro de 2015, matéria sobre o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" assinada pelo jornalista Bruno Mosconi.
 



 
"Superinteressante", setembro de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O aniversário da faquiresa

Muitas faquiresas passavam datas comemorativas como o Natal e o Ano Novo encerradas em suas urnas de vidro, jejuando sobre pregos ou entre serpentes enquanto a maior parte das pessoas festejavam com suas famílias.
Isso aconteceu com Marciana e Yone na virada de 1957 para 1958, com Suzy King na virada de 1959 para 1960 e com  Mara na virada de 1955 para 1956.
Até seu próprio aniversário, Mara comemorou dentro da urna ao longo dessa exibição, contando inclusive com um bolo (cujas velas a jejuadora soprou, sem que pudesse comê-lo) levado ao Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, onde ela se encontrava exposta.


"Diário da Noite", Rio de Janeiro, RJ, 26 de novembro de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A moça que se enterrava viva

Uma de nossas primeiras faquiresas, Arady Rezende era mulher de um faquir, Américo Piza, ao lado de quem costumava se exibir no final dos anos 20 jejuando enterrada viva.
Poucos anos depois, ainda muito jovem, a artista morreria internada no hospital psiquiátrico do Juqueri, vítima de caquexia, doença que pode ser definida como desnutrição aguda.
 
 
"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 29 de março de 1928
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 23 de agosto de 2015

Suzy King em Juiz de Fora, 1956

Suzy King já se apresentava dançando com cobras há algum tempo quando se tornou faquiresa.
Sua primeira prova de jejum sobre a qual foram encontradas informações data de março de 1956, quando ela se exibiu encerrada em uma urna de vidro com três de suas cobras trajando apenas um biquíni em Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Na ocasião, Suzy King foi encerrada em sua urna no palco do cine-teatro Glória e transportada para o edifício Juiz de Fora, onde jejuou durante vinte dias.


"Folha Mineira", Juiz de Fora, MG, 05 de março de 1956
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ


Suzy King, 1956
Acervo do jornal "Última Hora", Rio de Janeiro, RJ
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

sábado, 22 de agosto de 2015

São Paulo, 1958: Yone contra Marciana

Entre o final de 1957 e o início de 1958, Yone e Lookan vinham jejuando com grande destaque na praça do Correio, em São Paulo, quando a faquiresa Marciana foi encerrada em uma urna de vidro na Penha paulista, onde pretendia bater o recorde mundial feminino de jejum, tal como Yone.
Por mais de uma vez, o casal de faquires fez declarações - sempre negativas - à imprensa a respeito da exibição de Marciana, a qual afirmavam ser uma embusteira.
E estavam certos: antes de chegar ao fim de sua empreitada, Marciana foi flagrada se alimentando e teve que deixar sua urna.




"O Dia", São Paulo, SP, 07 de  janeiro de 1958
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O sexo frágil não é fraco

Em meados de 1955, a faquiresa Rossana alcançou grande popularidade ao se exibir jejuando no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, a artista pretendia bater o recorde mundial de jejum em uma prova que deveria durar sessenta dias, mas deixou sua urna bem antes disso, no vigésimo dia.
Menos de um ano depois desse fracasso, Rossana se suicidaria por amor.
Bem antes disso, em fevereiro de 1955, ainda uma iniciante no faquirismo, a jejuadora realizou, com sucesso, uma prova em Belo Horizonte.
À imprensa mineira, ela contestaria os que dizem que "o sexo frágil é fraco", contando que vinha e continuaria "provando que a mulher tem tanta capacidade física e realizadora quanto o homem".


"Diário da Tarde", Belo Horizonte, MG, 28 de janeiro de 1955
Fonte: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, Belo Horizonte, MG

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Oferendas às rainhas da fome

Ao longo de suas provas, as faquiresas costumavam receber muitos presentes dos que as assistiam - objetos, flores, bichinhos de pelúcia, os quais, muitas vezes, eram colocados ao redor de suas urnas e passavam a fazer parte da decoração dos locais onde jejuavam, ao lado de bilhetes de incentivo escritos pelo público que eram pregados nas próprias urnas.
Verinha, por exemplo, em sua exibição em Campinas em 1958, foi presenteada com um isqueiro, cinzeiros e uma cigarreira, entre outros objetos.
O teor tabagista dos presentes se devia ao fato de que a jovem faquiresa fumava três cigarros por dia dentro de sua urna, conforme lhe permitira seu médico.


"Correio Popular", Campinas, SP, 17 de abril de 1958
Fonte: Rede Anhanguera de Comunicação, Campinas, SP


Verinha
"Correio Popular", Campinas, SP, 09 de abril de 1958
Fonte: Rede Anhanguera de Comunicação, Campinas, SP

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Lançamento do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" em São Paulo

Hoje, quarta-feira, 19 de agosto de 2015, o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" será lançado na livraria Zaccara, na rua Cardoso de Almeida, 1356, no bairro de Perdizes, em São Paulo, entre as 18h30 e as 21h30.
O lançamento contará com a presença dos autores autografando o livro e também com uma trilha sonora especialmente selecionada por eles composta por músicas da época em que as faquiresas realizavam suas exibições.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Kenelli, a Rainha da Lua

Kenelli, uma das esposas de Silki, o mais conhecido faquir brasileiro de todos os tempos, também se dedicou a jejuar por aqueles anos, quando ainda era casada com ele.
Acompanhando Silki em suas viagens pelo Brasil, Kenelli, que era italiana, anunciada como “a Rainha da Lua”, “a Mulher Cobra” e “a Loura Atômica”, costumava se apresentar “cantando canções internacionais e dançando com uma cobra de dois metros de comprimento”, de acordo com cartazes da época.
Um desses cartazes informava que seu show, que oferecia ao público “arte, luxo e sensação”, era “rigorosamente impróprio até dezoito anos”. Outro cartaz, mais sensacionalista, prometia “arte, mistério e filosofia” no número em que Kenelli dançava “com suas famosas serpentes enfrentando o perigo com sorrisos nos lábios”.
Em matéria publicada no dia 06 de junho de 1955, o jornal A Noite traçava o seguinte perfil de Kenelli:


“É ela uma jovem esguia e loura, italiana, muito bonita, com olhos de um azul limpíssimo, dona de gestos e palavras que lembram a generosidade dos vinhos da ‘campagna’ italiana. Nasceu artista. Dança todos os estilos e é exímia na interpretação das canções napolitanas. Muito cedo, deixou a casa dos seus pais, dedicando-se ao teatro. Finda a guerra, ingressou numa trupe, cujo empresário declarou ir fazer ‘turnê’ pela África. Kenelli, ao saber que o primeiro ponto de parada seria Casablanca e que a companhia era composta quase que exclusivamente de mulheres, desistiu da viagem. E tinha razão. Tempos depois, soube que suas colegas, aquelas que acertaram contrato, tinham sido empresadas por um mercador de escravas brancas.
O desejo da jovem atriz de conhecer terras e mostrar a sua arte era, entretanto, grande. Assim, certo dia, quando lhe veio o que chama ‘vontade de ver pessoas estranhas’, arrumou as malas, tomou um ‘Giulio Cesare’ qualquer e só desceu em Buenos Aires. Representou em diversos teatros da América do Sul. Conhece, intimamente, os camarins das casas de diversões da Venezuela, do Uruguai, da Bolívia, Chile etc. E foi no Rio Grande do Sul justamente que teve lugar o seu encontro com Silki, isso há seis anos. Casaram-se após um rápido namoro e a história só não termina aí, com o clássico ‘e foram muito felizes’, porque Silki teve de interromper a lua de mel para se submeter a uma das suas provas de jejum.
Começa então o drama de Kenelli. Zelar pela segurança do esposo dentro da urna; cuidar do bem-estar das cobras que a substituíram, em parte, no leito de pregos; fiscalizar os empresários e os diferentes tipos de sucos ministrados ao jejuador e, mais que tudo isso, acompanhá-lo nos exercícios preparatórios para a prova.
Depois, nas conversas à beira do fogo, Silki contou como se sentia feliz quando estava fazendo jejum. Não sabemos se foi por ciúme da tranquilidade espiritual que o marido diz alcançar quando dentro da urna de vidro, cercado de jiboias, ou se foi para substituí-lo na manutenção da família durante o tempo em que se recupera para um outro jejum, que Kenelli também se determinou ser faquir. Embora atualmente, ainda se encontre na página sessenta e dois do livro que ensina yoguismo, a valorosa moça já fez também seu jejunzinho, de vinte dias, sobre um colchão de molas, pois ainda não tem o devido treino para se submeter às espetadelas dos pregos ou aos arranhões dos cacos de vidro como faz Rossana, amiga e aluna de Silki.”
(Trecho de "Cravo na Carne - Fama e Fome")



Fonte: Centro de Memória do Circo, São Paulo, SP

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"Também em jejum se morre de amor"

O Rio de Janeiro não recebia a visita de uma faquiresa há muito tempo quando Rossana despontou na cidade em 1955, disposta a bater o recorde mundial feminino de jejum no Cineac Trianon, na avenida Rio Branco.
A visibilidade conquistada através de uma prova realizada por uma mulher no então Distrito Federal inaugurou uma nova era da presença feminina no faquirismo nacional, que se encontrava em seu auge por conta da recente exibição de Silki no mesmo Cineac Trianon, onde o famoso faquir batera o recorde mundial de jejum.
A prova de Rossana, porém, acabou mal - tendo cumprido apenas um terço dos sessenta dias de jejum prometidos, a artista deixou sua urna.
Menos de um ano depois, Rossana deixaria também a vida, se suicidando por amor.
Bem antes disso, quando ainda se encontrava encerrada na urna instalada no Cineac Trianon, a faquiresa contava para a imprensa carioca sua história, seus fracassos, seus planos e seus gostos.


"Tribuna da Imprensa", Rio de Janeiro, RJ, 10 de agosto de 1955
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 16 de agosto de 2015

"Cravo na Carne - Fama e Fome" no "Correio Popular" (Campinas, SP)

No "Correio Popular" (Campinas, SP) desse domingo, 16 de agosto de 2015, no caderno "C", matéria sobre o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome" assinada pela jornalista Delma Medeiros.



"Correio Popular", Campinas, SP, 16 de agosto de 2015

sábado, 15 de agosto de 2015

Heráclis, o faquir que morreu na urna

Em dezembro de 1977, o faquir Heráclis, na profissão desde os anos 40, morreu encerrado na urna de vidro dentro da qual jejuava em Florianópolis há alguns dias, treinando para sua próxima empreitada: bater o recorde mundial de jejum.
Essa foi uma das derradeiras provas de jejum com urna de vidro, cobras e cama de pregos realizadas no Brasil - a última parece ter sido a de Silki em São Paulo em 1980.
A partir dos anos 60, os faquires foram se tornando cada vez mais raros no país.
Entre as poucas exibições que se destacaram na época estão a de Silki em São Paulo em 1969, a de Zokan no Rio de Janeiro em 1970, a fatal de Heráclis em Florianópolis em 1977 e a última de Silki em São Paulo em 1980.
Por esses anos, as faquiresas já se encontravam extintas por aqui.





"O Cruzeiro", 21 de janeiro de 1978
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

"Repetiu lady Godiva, NUA, A CAVALO, na avenida Rio Branco"

No dia 13 de março de 1959, Suzy King seria encerrada em uma urna de vidro instalada na galeria Ritz, em Copacabana, no Rio de Janeiro, dentro da qual deveria jejuar durante cento e dez dias.
Para promover a exibição, a faquiresa desfilou cavalgando de biquíni pelo centro da capital carioca acompanhada por um índio na tarde daquele dia, poucas horas antes de iniciar sua prova.
A aventura, porém, teve um desfecho inesperado: a multidão que seguia o desfile avançou sobre a artista, que foi derrubada do cavalo e despida pelos populares, ficando inteiramente nua à luz do sol em plena avenida Rio Branco.
O tumulto só acabou com a intervenção da polícia, que conduziu Suzy King até a delegacia.
Embora bastante abalada, a Deusa das Serpentes entrou em sua urna e iniciou seu jejum no mesmo dia, conforme planejara.



"Luta Democrática", Rio de Janeiro, RJ, 14 de março de 1959
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Gravação de entrevista sobre "Cravo na Carne - Fama e Fome" para o programa "The Noite", no SBT

Nessa terça-feira, 11 de agosto de 2015, os autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome", Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, gravaram uma entrevista com o apresentador Danilo Gentili para o programa "The Noite", no SBT.
A entrevista ainda não tem data certa para ir ao ar.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Um pretendente muito convincente

Ficar exposta em uma urna de vidro em um pavilhão aberto à visitação pública podia trazer bem mais do que a fama e o dinheiro que as faquiresas desejavam.
Tanto as mulheres, quanto os homens costumavam angariar um grande número de pretendentes ao longo de suas provas de jejum.
Às vezes, o caso se tornava realmente sério - a faquiresa Sandra, por exemplo, depois de passar mais de oitenta dias jejuando em Porto Alegre e se tornar campeã mundial de jejum em dezembro de 1958, deixou sua urna decidida a se casar com seu "príncipe encantado", o qual conhecera em plena exibição, ainda naquele mês.
Devia ser, realmente, um pretendente muito convincente...


"Diário de Notícias", Porto Alegre, RS, 14 de dezembro de 1958
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mulher de faquir

Sempre foram muito comuns no Brasil as faquiresas casadas com faquires.
Algumas já se exibiam em provas de jejum quando conheceram seus esposos, outras foram iniciadas no faquirismo por eles e se tornaram faquiresas por amor.
Se submeter à fome e às torturas para acompanhar o homem amado era uma atitude romântica e muito bem vista pela imprensa, que publicava textos louvando o amor corajoso e sem limite dessas mulheres.
Hosanna e Josué de Barros, Arady Rezende e Américo Piza, Mara e Urbano, Iliana e Vicente Cabistany e Yone e Lookan são alguns exemplos de casais de faquires que se destacaram no Brasil entre os anos 20 e 50.
Além deles, chamou atenção entre o final dos anos 20 e o início dos anos 30 o casal Junqueira, Orcalino e Djanira.
O faquir Junqueira, como era conhecido na época, gostava de inovar em suas apresentações, pois considerava que as provas de enterrado vivo, tão populares por aqueles anos, já estavam desgastadas.
Uma de suas inovações era jejuar encerrado em uma urna de vidro que, por sua vez, se encontrava encerrada dentro de um enorme tanque cheio de água.
A prova era arriscada e certa vez, o jejuador quase morreu afogado em meio à sua aventura.
Djanira Junqueira seguia os passos do esposo, porém em exibições convencionais, embora modernas para a época, pois quando as faquiresas Rose Rogé, Hosanna e Arady Rezende ainda jejuavam enterradas vivas e Gitty realizava sua prova em um quarto de cristal, ela já era adepta da tradicional urna de vidro instalada acima do solo que seria adotada por suas sucessoras.


"Diário da Noite", Rio de Janeiro, RJ, 27 de novembro de 1931
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 9 de agosto de 2015

Princesa Yirak e sua prova de jejum itinerante

Conforme as exibições de faquirismo foram se desgastando em São Paulo e no Rio de Janeiro, chegando até mesmo a serem proibidas em cidades como Porto Alegre, as faquiresas foram avançando rumo ao Nordeste e Norte do Brasil.
Em 1960, a faquiresa peruana Princesa Yirak, que se dizia filha do cacique inca Marau Yirak, realizou uma inusitada prova de jejum itinerante com duração de cento e vinte e dias, passando oitenta deles no Brasil - quarenta em Belém, quarenta em Manaus - e quarenta na Venezuela, em Caracas, onde finalizaria sua proeza.
Encerrada dentro de uma urna de vidro com dez cobras, Princesa Yirak, que era conhecida como "a Mulher Serpente" por sempre andar acompanhada por seus ofídios, pretendia ganhar vinte mil dólares oferecidos pela Associação Mundial de Faquirismo a quem batesse o recorde mundial de jejum.
Princesa Yirak fazia a linha "jejuadora filantrópica", como Marciana e Dzy Tzú - segundo ela, a renda dos ingressos cobrados para vê-la  seria revertida em benefício de uma maternidade.



"Jornal do Comércio", Manaus, AM, 02 de abril de 1960
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ
http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

sábado, 8 de agosto de 2015

Jejum e polícia

Já nos anos 20, quando o faquirismo ainda estava longe de sua fase áurea no Brasil, que ocorreu somente nos anos 50, a era de ouro do faquirismo nacional, as salas de exibição de nossos jejuadores atraíam a polícia, presença constante nos pavilhões da fome, ambientes propícios às mais diversas confusões, as quais sempre acabavam requerendo intervenção policial.
Foi assim em 1928, por exemplo, quando a faquiresa alemã Gitty jejuava encerrada em um quarto de cristal na rua da Carioca, no Rio de Janeiro, "bebendo calmamente águas minerais e fumando deliciosos cigarros de fumo louro", e chegou à polícia a informação de que ela estaria sendo explorada por seus empresários, além de ter sofrido uma síncope, jazendo moribunda dentro de sua urna.
Pelo menos o segundo boato foi desfeito assim que a polícia chegou ao local - Gitty tivera sim uma vertigem, mas já se encontrava recuperada, bebendo e fumando novamente.


"A Noite", Rio de Janeiro, RJ, 14 de abril de 1928
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Marciana, uma faquiresa meio Cuca

Nem sempre as faquiresas desempenhavam no imaginário popular o papel de beldade sensual aprisionada em uma urna, vítima de incontáveis suplícios, "a bela entre as feras".
Geralmente associadas pela imprensa e pelo público às heroínas dos contos de fadas, como a Bela Adormecida, as faquiresas tiveram seu momento Cuca em 1959, quando uma delas, Marciana, foi acusada pelo sequestro de três crianças.
A repercussão do caso seria tão grande na época que por algum tempo, os pais e avós ameaçariam as crianças travessas não com monstros como o Tutu Marambá ou o Chibamba, mas sim com a tenebrosa figura da faquiresa Marciana.


"Folha da Tarde", São Paulo, SP, 10 de abril de 1959
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

As "mil cabeças de pregos" de Wilmara, "a extraordinária mulher faquir brasileira"

Os anúncios das provas de jejum dos faquires e faquiresas costumavam dar destaque especial ao número de pregos sobre os quais eles permaneceriam deitados dentro de suas urnas enquanto durassem suas exibições.
Quanto maior o número de pregos, mais corajosos pareciam... Para os desatentos e desavisados, é claro.
O que muita gente não percebia é que conforme crescia o número de pregos, mais próximos eles ficavam um do outro dentro da urna. Tão próximos que acabavam formando, juntos, uma superfície lisa sobre a qual qualquer pessoa poderia se deitar sem o menor desconforto.


"A Tarde", Curitiba, PR, 07 de março de 1951
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Espaço do leitor: relato de Armando Pinho, que viu o faquir Silki no Cineac Trianon nos anos 50

Nessa terça-feira, 04 de agosto de 2015, recebemos pelo e-mail famaefome@gmail.com o relato de Armando Pinho, que leu a reportagem publicada no caderno "Ilustrada" da "Folha de São Paulo" no último domingo ( http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/08/1662609-livro-conta-saga-de-vedetes-faquir-que-jejuavam-sobre-camas-de-pregos.shtml ) e nos escreveu contando a sua "experiência com o fenômeno dos faquires", em suas próprias palavras.
São as lembranças dele que compartilhamos com os leitores do blog nessa postagem.

"Fui ver o Silki, no final da década de 50, no Rio de Janeiro, o qual estava em exposição, no Cineac Trianon, numa urna de vidro, deitado sobre pregos, e cercado de cobras, com o objetivo de bater o recorde mundial de jejum, ficando se não me engano cento e cinco dias sem comer nada sólido.
A urna ficava na entrada deste cinema, que era bastante ampla. Quando fui vê-lo, já haviam se passado algumas dezenas de dias e o Silki estava bem magro, barbudo e com o cabelo comprido. Dava para ver que era uma pessoa com traços finos. Me lembro também de ter visto uma bandeira do Brasil em algum lugar. Eu devia ter uns dezesseis anos, nasci em 07 de maio de 1943, ele era, portanto, vinte e um anos mais velho do que eu.
Não sei como eram feitos os seus aspectos de higiene e como ele era  jovem, não tinha consciência das sequelas do que poderia vir a padecer, afinal de contas, somos de carne e osso.
O Cineac Trianon ficava bem localizado, no centro da cidade, próximo da Cinelândia e em frente ao que já foi o maior edifício da cidade, o edifício Avenida Central, na avenida Rio Branco.
Este cinema tinha fama porque as sessões eram ininterruptas, e a sua propaganda era feita em cima da frase: 'A sessão começa quando você chega'.
Foi lá, também, que, na década de 60, assisti ao primeiro filme em 'terceira dimensão'. Ainda era uma forma de exibição incipiente.
Aproximadamente dez anos depois da exposição do Silki é que tive o prazer de revê-lo, através de uma fotografia, de uma pequena reportagem, feita num restaurante, comendo uma boa macarronada. Tinha um bom semblante e estava mais para gordo do que forte. Esta reportagem saiu ou na revista 'Manchete', ou na revista 'O Cruzeiro', não me lembro ao certo.
Acho que naquela época o Silki bateu o recorde mundial de jejum, só não posso garantir."


Silki
Acervo do jornal "Última Hora", Rio de Janeiro, RJ
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

Com o relato de Armando Pinho, abrimos o "Espaço do leitor" no blog.
Aos que tiverem lembranças relacionadas a faquires e faquiresas para contar, fica o convite: escrevam para famaefome@gmail.com e contem suas histórias.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Filé mignon para a faquiresa"

O escandaloso desfecho da prova de jejum realizada por Suzy King na galeria Ritz, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em meados de 1959, quando, bem antes do dia previsto para sua saída da urna em que estava encerrada, a faquiresa quebrou a marteladas seu caixão e fugiu, não fez com que ela desistisse do faquirismo.
Muito pelo contrário, menos de um ano depois, Suzy King voltou a jejuar em Copacabana.
Dessa vez, porém, além de ser diariamente provocada pelos "jovens transviados" e policiais que passavam pelo local em que ela jejuava, os quais chegaram ao ponto de tentar colocar um bife dentro de sua urna para desmoralizar sua exibição, a artista foi, depois de cinquenta e três dias de jejum, retirada dali e levada para a delegacia, onde foi espancada e presa.



"Luta Democrática", Rio de Janeiro, RJ, 23 de janeiro de 1960
Fonte: Biblioteca Nacional do Brasil, Rio de Janeiro, RJ

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":