Cravo na Carne - Fama e Fome


Blog do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome", de Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, publicado pela editora Veneta em 2015.
Contemplado pelo Prêmio Carequinha, da Funarte, "Cravo na Carne - Fama e Fome" traz as histórias de onze mulheres que entre os anos 20 e 50 do século XX, se exibiram como faquiresas no Brasil.
Muito populares na época, as provas de faquirismo consistiam, em sua maioria, no encerramento do faquir ou da faquiresa em uma urna transparente durante um determinado período de dias, semanas ou até mesmo meses, em absoluto jejum, muitas vezes sobre pregos ou cacos de vidro e ao lado de cobras.
O ar de mistério e tragédia que envolvia a exótica profissão não se limitava aos locais onde se realizavam tais provas e também se fazia presente nas vidas pessoais de seus representantes.
O que levaria uma mulher a escolher o faquirismo como arte e profissão em uma época em que optar por carreiras como as de atriz ou cantora já era o suficiente para que não fossem bem vistas pela sociedade preconceituosa e moralista de então?
Quem foram nossas faquiresas?
Como elas eram vistas por seus contemporâneos?
Buscando responder a essas e a outras perguntas, Alberto de Oliveira e Alberto Camarero realizaram extensa pesquisa, cujos resultados trazem à tona em "Cravo na Carne - Fama e Fome", o primeiro livro no mundo sobre a arte circense do faquirismo.

Entre em contato com os autores através do e-mail:

famaefome@gmail.com

Para comprar "Cravo na Carne - Fama e Fome":

Loja Veneta - http://www.lojaveneta.com.br/produtos/cravo-na-carne-fama-e-fome/


Saraiva - http://www.saraiva.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-8908519.html


Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/p/cravo-na-carne-42962726


Livraria da Travessa - http://www.travessa.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil/artigo/858eb6a3-89c7-45ec-aaf8-6f099645d38f

Amazon - http://www.amazon.com.br/Cravo-Carne-Faquirismo-Feminino-Brasil/dp/8563137417

Martins Fontes Paulista - http://www.martinsfontespaulista.com.br/cravo-na-carne-497638.aspx/p

Livrarias Curitiba - http://www.livrariascuritiba.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-veneta-lv382979/p

Arte Pau Brasil - http://www.artepaubrasil.com.br/cravo-na-carne-fama-e-fome-o-faquirismo-feminino-no-brasil-698849-p536467

Este projeto foi contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE CAIXA CAREQUINHA DE ESTÍMULO AO CIRCO

sábado, 3 de junho de 2017

Naja, uma rara faquiresa brasileira em 1970

Em 1970, as faquiresas estavam quase extintas no Brasil. Uma rara artista do gênero em atuação na época era Naja.
Em agosto de 1970, Naja encontrava-se em Araçatuba, onde exibiu-se durante dez dias crucificada em um salão no centro da cidade.


"A Comarca", Araçatuba, SP, 08 de agosto de 1970
Fonte: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, RJ
http://sian.an.gov.br/sianex/consulta/pagina_inicial.asp

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lembrança de Verinha

No início de 1958, a faquiresa pernambucana Verinha exibiu-se em Campinas, no interior de São Paulo, em uma prova de jejum de mais de quarenta dias, deitada sobre pregos na companhia de cobras.
Na ocasião, Verinha distribuía um cartão comemorativo de sua prova para os que iam vê-la.
Um desses cartões foi autografado por Verinha para o famoso faquir gaúcho Silki, que compartilhava com ela praticamente a mesma equipe de seus jejuns, como o médico Dr. Caetano Virgílio Netto.
Curiosamente, o cartão continha uma oração de Nossa Senhora, provavelmente para ressaltar que a faquiresa era católica, o que era importante na conservadora Campinas de então, que, de outra forma, podia rejeitar Verinha. Afinal, uma mulher que convivia com cobras, não comia e torturava-se deitando sobre pregos podia ser associada a coisas nada cristãs, o que prejudicaria a apresentação.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Kasman, o faquir do Teatrinho Jardel

Em meados de 1955, no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que o faquir Silki buscava conquistar o recorde mundial de jejum no Cineac Trianon, apareceu no Teatrinho Jardel, em Copacabana, o faquir Kasman, prometendo realizar o mesmo feito, levando sua prova adiante nem que fosse por apenas um dia a mais do que Silki conseguisse.
Depois de algum tempo e de muitas reportagens a respeito da disputa entre os faquires, Kasman acabou desistindo de seu jejum por problemas com seu empresário.
Esse fato não impediu Kasman de seguir sua carreira como faquir. Com o tempo, assim como o faquir Lookan, ele também passou a dedicar-se a provas de resistência como ciclista, pedalando dias seguidos sem parar.





O faquir Kasman em fotografias publicadas na revista "A Cigarra" em junho de 1955
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/jornais_revistas

domingo, 18 de dezembro de 2016

Índia Maluá, a Flor Selvagem

Contemporânea de Suzy King, a bailarina exótica Índia Maluá não chegou a ser faquiresa, mas também ficou famosa dançando com cobras depois de morar durante algum tempo na casa da vedete Luz del Fuego, com quem aprendeu a arte dos bailados ofídicos.
A história de sua vida é contada por Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, os autores de "Cravo na Carne - Fama e Fome", no blog "Índia Maluá, a Flor Selvagem":


Com uma carreira artística de mais de sessenta anos em atuação, Maluá fez história apresentando-se em teatros, circos, boates e na televisão, além de ter participado de alguns filmes.


Índia Maluá fotografada por Alberto Camarero, 1991
Fonte: Acervo de Alberto Camarero


Índia Maluá
Fonte: Acervo da Índia Maluá


Índia Maluá posa para os Albertos em Florianópolis, 2015
Fonte: Acervo dos Albertos

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A enorme sucuri do faquir Silki

Conviver com jiboias e outras cobras menores e sem veneno não colocava as vidas dos faquires e faquiresas verdadeiramente em risco, como costumavam alardear, mas em 1980, quando realizava o seu derradeiro jejum no centro de São Paulo, o faquir Silki realmente correu perigo de vida, dividindo a sua urna com uma sucuri imensa durante muitos dias.




Silki e sua sucuri em São Paulo, SP, 1980
Acervo dos Diários Associados, São Paulo, SP
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

Exotismo natural

Certo exotismo natural já fazia parte da personalidade artística de vários faquires e faquiresas mesmo antes de iniciarem suas carreiras no jejum, com cobras e pregos.
Suzy King, por exemplo, quando ainda usava o nome artístico Diva Rios, nos anos 30 e 40, se apresentava ao público em rádios e cabarés cantando músicas indígeno-brasileiras, algo considerado bastante exótico na época.
A identificação com a temática indígena acompanharia Suzy King ao longo de toda a sua vida, inclusive no momento emblemático em que ela abandonaria sua verdadeira identidade, como Georgina Pires Sampaio, e passaria a se chamar Jacuí Japurá Sampaio.


"Diário da Noite", São Paulo, SP, 22 de junho de 1942
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP

Essa e outras histórias de Suzy King podem ser conferidas no blog "Suzy King", criado por Alberto de Oliveira em 2012, quando ele e Alberto Camarero ainda davam os primeiros passos da pesquisa que se tornaria o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome":

"A arte de ludibriar o povo"

No Brasil, o faquirismo teve dois picos de popularidade: o primeiro nos anos 20 e o segundo nos anos 50. Nessas décadas, muitos homens e mulheres realizaram provas de jejum em diversas partes do país.
Depois de um longo período no qual pouquíssimos faquires se exibiram em terra nacional, a arte do jejum começou a se popularizar novamente no final dos anos 40.
A retomada do faquirismo no Brasil chamou grande atenção da imprensa e foi motivo de inúmeras reportagens e também de algumas polêmicas.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o faquir Sandú chegou a ser proibido de se apresentar e teve que abrir um processo para conseguir a permissão necessária para jejuar exposto ao público.
Ainda assim, não faltava quem tentasse desmistificar o faquirismo, apontando seus supostos truques e logros.










"A Cigarra", janeiro de 1949
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo, São Paulo, SP
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/jornais_revistas